intro.gif (2169 bytes)

Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso

 

or_bar.gif (1182 bytes)

 

ASCENSÃO DE ABDUL AZIZ (1890-1926)

l_brown.gif (101 bytes)

O fundador do moderno estado da Arábia Saudita viveu grande parte de sua juventude no exílio. No entanto, no final de sua existência ele não só recuperou o território do primeiro império Al Saud como o transformou em estado. Abdul Aziz fez isto se movimentando entre as várias forças. A primeira foi o fervor religioso que o Islam wahhabi continuava a inspirar. Seu exército wahhabi, a Ikhwan (fraternidade), por exemplo, representava um instrumento poderoso mas que se mostrou tão difícil de controlar que o obrigou a destruí-lo. Ao mesmo tempo, Abdul Aziz tinha que prever a forma como os acontecimentos na Arábia seriam interpretados no mundo e permitir que os poderes estrangeiros, principalmente a Inglaterra, se interpusessem em seu caminho.

Abdul Aziz criou o estado saudita em três etapas, ou seja, em 1905, retomando Najd, em 1921, derrotando o clã rashidita em Hail, e em 1924, conquistando o Hijaz. Na primeira fase, Abdul Aziz atuou como os líderes tribais tinham atuado por séculos: enquanto ainda estava no Kuwait, e apenas com vinte e poucos anos, ele reuniu uma pequena força composta de membros das tribos locais e começou a atacar as áreas sob controle dos rashiditas, no norte de Riad. Em seguida, no início de 1902, ele liderou um grupo num ataque surpresa ao forte rashidita em Riad.

O ataque vitorioso deu a Abdul Aziz um ponto de apoio em Najd. Uma de suas primeiras tarefas foi se instalar em Riad como o líder al Saud e o imam wahhabi. Abdul Aziz obteve o apoio dos religiosos de Riad e isto rapidamente revelou a força política da autoridade wahhabi. A liderança nesta tradição não segue necessariamente a idade e sim a linhagem e, principalmente, a ação. Apesar de sua relativa pouca idade, ao tomar Riad, Abdul Aziz tinha mostrado que possuía as qualidades que as tribos identificavam em um líder.

De Riad, Abdul Aziz continuou a fazer acordos com algumas tribos e a combater outras. Ele finalmente fortaleceu sua posição a ponto de os rashiditas não conseguirem mais expulsá-lo. Em 1905, o governante otomano no Iraque reconheceu Abdul Aziz como um parceiro otomano em Najd. O governante al-Saud aceitou a soberania otomana porque isto melhorava sua posição política. No entanto, ele fez algumas aberturas simultâneas aos ingleses, com a finalidade de tirar a Arábia da influência otomana. Afinal, em 1913, e sem a assistência britânica, os exércitos de Abdul Aziz expulsaram os otomanos de Al Hufuf, no leste da Arábia, fortalecendo, assim, sua posição em Najd também.

Por esta época, começou a surgir entre os beduínos o movimento Ikhwan (fraternidade), que divulgava o Islam wahhabi entre os nômades. Salientando a mesma adesão rigorosa à lei religiosa que Mohammad ibn Abd al Wahhab tinha pregado, o Ikhwan beduíno abandonou sua tradicional forma de vida no deserto e se voltou para um tipo de assentamento agrícola chamado de hijra (pl. hujar). A palavra hijra (hégira) referia-se à migração do Profeta de Meca para Medina, no ano de 622, com o sentido de que aquele que decide fazer a hijra sai de um lugar de descrença para um de crença. Ao fazer a hijra, o Ikhwan pretendia seguir uma nova forma de vida e se dedicar a fazer cumprir a ortodoxia islâmica. Uma vez em hijra, o Ikhwan tornou-se extremamente militante, impondo-se o que eles acreditavam ser a sunnah correta do Profeta, ordenando a prece pública, a participação na mesquita e a separação de sexos, condenando a música, o fumo, o álcool e a tecnologia desconhecida no tempo do Profeta. Eles atacavam aqueles que se recusavam a aceitar as interpretações wahhabi da prática islâmica correta e tentavam converter os muçulmanos à força para a sua versão de wahhabismo.

O movimento Ikhwan olhava avidamente para a oportunidade de combater os muçulmanos não wahhabi - e os não muçulmanos também - e tomaram Abdul Aziz como sua liderança para este fim. Em 1915, havia mais de 200 hujar dentro e em volta de Najd e quase 100.000 Ikhwan esperando pela oportunidade da luta. Isto deu a Abdul Aziz uma arma poderosa mas sua situação exigia que ele a usasse cautelosamente. Em 1915, Abdul Aziz tinha vários objetivos: ele queria tomar Hail dos rashiditas, estender seu controle aos desertos do norte, atuais Síria e Jordânia, e ocupar o Hijaz e a costa do Golfo Pérsico. A Inglaterra, no entanto, estava cada vez mais envolvida com a Arábia por causa da I Guerra Mundial e Abdul Aziz teve que ajustar suas ambições aos interesses britânicos.

Os ingleses impediram que Al Saud ocupasse a maior parte da costa do golfo, onde eles tinham criado protetorados com várias dinastias governantes. Eles também se opuseram aos esforços de Abdul Aziz de estender sua influência para além dos desertos jordanianos, sírios e iraquianos por causa de seus próprios interesses imperiais. Para o ocidente, a Inglaterra era aliada da família Sharif, que tinha governado o Hijaz de sua base em Meca. A Inglaterra, na verdade, estimulou a família Sharif a se rebelar contra os otomanos, abrindo, assim, uma segunda frente contra eles na I Guerra Mundial.

Diante disto, Abdul Aziz não teve outra escolha senão desviar sua atenção para Hail. Isto provocou problemas com o Ikhwan porque, diferentemente de Meca e Medina, Hail não tinha importância religiosa e os wahhabis não tinham qualquer disputa com o clã rashidi que controlava a área. No entanto, com família Sharif, em Meca, era uma outra história. Os wahhabi tinham uma antiga rixa contra os Sharif por causa da tradicional oposição ao wahhabismo. O governante, Hussein, tinha piorado a situação, proibindo que o Ikhwan fizesse a peregrinação e procurando a ajuda não muçulmana inglesa contra os muçulmanos otomanos.

Por fim, Abdul Aziz teve grande êxito ao equilibrar os interesses do Ikhwan com suas próprias limitações. Em 1919, o Ikhwan destruiu completamente o exército que Hussein tinha enviado contra eles, perto da cidade de Turabah, que se situa na fronteira entre Hijaz e Najd. O Ikhwan dizimou completamente os soldados de Sharif e não sobrou ninguém para defender Hijaz e toda a área se curvou sob a ameaça de um ataque wahhabi. Ao invés disso, Abdul Aziz reprimiu o Ikhwan e conseguiu direcioná-los para Hail, que eles tomaram muito facilmente em 1921. Mas, os Ikhwan foram além de Hail até a Transjordânia central, onde desafiaram o filho de Hussein, Abdallah, cujo governo os britânicos estavam tentando estabelecer depois da guerra. Neste ponto, Abdul Aziz, mais uma vez, teve que refrear seus soldados para evitar problemas futuros com a Inglaterra.

No que se refere ao Hijaz, Abdul Aziz foi recompensado por sua paciência. Em 1924, Hussein não era forte do ponto de vista militar e estava enfraquecido politicamente. Quando o sultão otomano, que tinha tomado o título de califa, foi deposto no final da I Guerra Mundial, Sharif tomou o título para si. Ele esperava que a nova honra lhe granjeasse um apoio muçulmano maior mas o contrário foi o que aconteceu. Muitos muçulmanos ficaram ofendidos com a forma como Hussein manejava a tradição islâmica e começaram a se opor ao seu governo. Para piorar as coisas para Hussein, os ingleses já não mais queriam sustentá-lo depois da guerra. Os esforços de Abdul Aziz para controlar os Ikhwan na Transjordânia, assim como a acomodação dos interesses britânicos na região do golfo provaram que ele podia agir responsavelmente.

A conquista de al Saud do Hijaz foi possível na batalha em Turabah, em 1919. Abdul Aziz vinha esperando pelo momento certo e, em 1924, ele o encontrou. Os ingleses não o estimularam a entrar em Meca e Medina, mas também não sinalizaram que se oporiam. Assim, os exércitos wahhabi ocuparam a região, encontrando muito pouca oposição.

 

 

back1.gif (279 bytes)


home.gif (396 bytes)


1