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ATUALIDADES

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ESTADOS UNIDOS REFORÇAM AÇÃO CONTRA IRAQUE (*)

Paulo Daniel Farah

O futuro presidente dos EUA vai adotar uma postura ainda mais rígida em relação ao Iraque, totalmente contrária ao fim do embargo e favorecendo novas intervenções militares, de acordo com analistas árabes e norte-americanos ouvidos pela Folha.

Tanto o candidato democrata, Al Gore, quanto o republicano,George W.Bush, já manifestaram em discursos seu repúdio a Saddam Hussein e prometeram aumentar o apoio financeiro ao Conselho Nacional Iraquiano, que reúne oposicionistas curdos e islâmicos. Gore chegou a se encontrar com líderes do movimento.

Os US$ 97 milhões destinados a financiar o plano "Transição no Iraque", que visa a utilizar a oposição no exílio como força de choque, serviram apenas para pôr em evidência as divisões e as lutas internas - são mais de 70 grupos.

Os fronts formados sob a égide de Washington, incluindo uma rádio de oposição, fracassaram.

"A cada ano que passa, o Iraque 'comemora' com menos alarde a invasão do Kuait (1990), mas não se espera nenhuma aproximação dos EUA. Uma vitória republicana trará novas ofensivas militares, que atingem a devastada infra-estrutura do país sem tocar os pés de Saddam", afirma a analista política Fátima Alazi, em Bagdá.

"França, Rússia e China se opõem abertamente às sanções econômicas. Já os EUA crêem que essa é a principal forma de abalar o governo iraquiano. Na prática, a tentativa de estrangulamento político sufoca apenas o povo."

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, reconheceu o "dilema moral", eufemismo para a incapacidade das Nações Unidas de encontrar uma solução que não castigue a população iraquiana.

A mortalidade infantil mais que dobrou desde o início do embargo, segundo o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), que também afirma que ao menos 500 mil crianças teriam sobrevivido sem as sanções. O bloqueio produziu entre 3 milhões e 4 milhões de emigrados e cerca de 30% de evasão escolar.

"A política combativa dos EUA deve ser reforçada, pois os países da região abriram  o caminho para isso. Em suas declarações, o Conselho de Cooperação do Golfo apóia a ofensiva de sanções",diz Steven Simon, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos.

"A Tempestade do Deserto (guerra contra o Iraque) foi um grande momento da história americana. Seus líderes se tornaram heróis e os candidatos presidenciáveis sabem disso. Saddam, porém, continua no poder, intacto, após Bush e Clinton. E o Kuait ainda enfrenta problemas." O país pede a libertação de mais de 600 prisioneiros de guerra mantidos no Iraque há dez anos.

Para o cientista político Michael Gunter, "a relativa contenção do governo Clinton dará lugar a uma ação mais agressiva em relação ao Iraque, especialmente com uma vitória de Bush e Dick Cheney (secretário de Defesa durante a Guerra do Golfo, em 1991)".

Dez anos após a invasão do Kuait, as negociações em torno do Iraque lembram um embate de autistas. De um lado, um regime isolado, separado da comunidade internacional. Do outro, os EUA, que mantêm a mesma atitude desde 1990. Apóia o fantasma de uma oposição semi-invisível e fracionada e bombardeia o Iraque sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU.

(*) matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, em 6.08.00.

 


 


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