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ATUALIDADES

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LÍDERES ÁRABES PRESSIONAM ARAFAT PARA QUE REPRIMA MILITANTES

Por Howard Schneider

Segundo fontes árabes e ocidentais, com a escalada da violência entre Israel e palestinos, os principais líderes árabes começaram a dizer a Yasser Arafat, o líder palestino, que fizesse  mais para reprimir grupos de militantes, a fim de preservar a possibilidade de um retorno às negociações de paz e evitar o isolamento internacional.

Numa mudança retórica potencialmente importante, Jordânia, Egito e Arábia Saudita, os três estados árabes moderados, cujo envolvimento é fundamental para as negociações entre israelenses e palestinos, evitaram qualquer crítica direta aos ataques aéreos realizados pelos helicópteros israelenses em retaliação à série de ataques suicidas de palestinos, durante a semana.

Em vez disso, eles publicamente recomendaram que ambos os lados devem reprimir a violência. Também as fontes disseram que os três países mostraram a Arafat, reservadamente, que, na esteira dos ataques terroristas do dia 11 de setembro, ele tem muito pouco espaço para negociar com o Hamas, o Jihad Islâmico e outros grupos militantes palestinos.

Israel e Estados Unidos exigiram que Arafat prenda todos os envolvidos nos ataques suicidas contra Israel e, de acordo com as fontes, os líderes árabes têm o mesmo ponto de vista, embora não digam isto de público. "Eles estão dizendo a ele para que faça alguma coisa. Está na hora de parar com isto", comentou um funcionário saudita, familiarizado com as conversas entre Arafat e os líderes sauditas.

Um funcionário ocidental disse que mensagens semelhantes foram enviadas a Arafat pelo presidente egípcio, Hosni Mubarak, e o rei da Jordânica, Abdullah. O funcionário sugeriu que Arafat estava começando a buscar socorro, como, por exemplo, pedir aos governos árabes que reprimam as contribuições privadas ao Hamas, também conhecido como Movimento de Resistência Islâmico, e a outras organizações de militantes. Os grupos islâmicos de há muito que vêm desafiando a autoridade de Arafat. "De um modo geral, eles estão dizendo a Arafat a mesma coisa que Colin Powell disse anteriormente", comentou o funcionário ocidental a respeito da mensagem a Arafat. "Os líderes (árabes) estão com medo. Eles odeiam Sharon mas Arafat não está isento de responsabilidade e eles sabem que não se pode mais deixar o antigo roteiro."

Um alto membro da família real saudita  expressou o que talvez seja uma frustração crescente com os dois lados do conflito. "Isto já foi longe demais e está na hora de parar".  O príncipe Turki al-Faisal, ex- ministro da Inteligência saudita, numa entrevista esta semana disse "Quando vemos as cenas de corpos espalhados por todo lugar - isto nos faz ficar doentes. Quem diabo são Sharon ou Arafat para provocar este sofrimento a seus povos?"

O atual levante palestino foi sustentado por 14 meses, em parte por causa da crença nos países árabes de que esta é uma causa pan-árabe. Os governos e os indivíduos árabes, principalmente os sauditas, doaram vários milhões de dólares para amparar Arafat e sua Autoridade Palestina, e fizeram declarações de apoio ao levante.

Depois do encontro de Mubarak e Abdullah na segunda-feira no Cairo, o Ministro da Informação egípcio, Safwat Sharif, fez uma declaração responsabilizando os dois lados pelo banho de sangue.

Os líderes religiosos sauditas e egípcios também condenaram os ataques suicidas dos palestinos em Jerusalém e Haifa. A questão é controversa entre os clérigos muçulmnaos, com alguns condenando os ataques suicidas e outros dizendo que a estratégia é aceitável no que eles chamam de guerra defensiva contra Israel.

Após os ataques em Jerusalém e Haifa, Mohammed Sayed Tantawi, diretor da Universidade Al-Azhar, no Cairo, foi citado na imprensa egípcia como tendo dito que o Islam "rejeita todas as ameaças contra a vida humana e em nome da shari'ah (a lei islâmica) nós condenamos os ataques a civis, qualquer que seja a comunidade ou estado responsável por tais ataques."

Comentários semelhantes foram feitos pelo estudioso saudita, Muhammad ibn Abdullah A.-Subail, um membro do conselho de clérigos do país e um imam da Grande Mesquita de Meca.

Por Howard Schneider
Washington Post Foreign Service
Thursday, December 6, 2001; Page A35

http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/articles/A64538-2001Dec5.html

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