or_bar.gif (1182 bytes)

ATUALIDADES

or_bar.gif (1182 bytes)

 

O PETRÓLEO E O GÁS DA ÁSIA CENTRAL: OS VERDADEIROS MOTIVOS PARA GUERRA DOS ESTADOS UNIDOS CONTRA O AFEGANISTÃO

Por Zafar Bangash

Enquanto a América descreve sua guerra contra o Afeganistão na linguagem da moralidade, motivos mais sinistros estão por trás: o desejo de controlar o petróleo e o gás do mar Cáspio, assim como a destruição ou remoção (neutralização) das armas nucleares paquistanesas. A região do mar Cáspio possui reservas comprovadas de mais de 200 bilhões de barris de petróleo (o segundo, depois da Arábia Saudita) e trilhões de metros cúbicos de gás; a capacidade nuclear do Paquistão é vista com preocupação no ocidente, assim como por Israel e Índia. O jornalista americano, Seymour Hersh, escrevendo no New Yorker (5/11), revelou que os comandos dos Estados Unidos e Israel vêm promovendo exercícios conjuntos com o objetivo de "tirar" as armas nucleares paquistanesas no caso de o general Pervez Musharraf for destituído. Mesmo antes dos ataques ao Afeganistão, observadores no Paquistão disseram que os Estados Unidos realmente tinham os olhos voltados para o arsenal nuclear dos paquistaneses.

Em meio ao crescente sentimento anti-Musharraf por causa de sua aceitação à política anti-taleban dos Estados Unidos, os estrategistas de Washington agora discutem abertamente sobre as possibilidades pós-Musharraf. Apesar  da garantia de Islamabad, os americanos disseram que as armas nucleares paquistanesas poderiam cair em mãos de "fundamentalistas"; daí, os esforços frenéticos de tirá-las dos paquistaneses. De acordo com os Estados Unidos, todo muçulmano que desafie ou critique a hegemonia e a arrogância americanas é um "fundamentalista".

Também houve etenção de vários cientistas nucleares paquistaneses. Dr. Sultan Basheeruddin Mahmood, Dr Abdul-Majid e Dr Mirza Yusuf Baig foram presos e interrogados exaustivamente pelo ISI. Os dois primeiros renunciaram aos cargos na Comissão de Energia Atômica do Paquistão em 1998, em protesto contra os planos do então primeiro ministro Nawaz Sharif de assinar um Tratado Abrangente de Proibição de Testes. O Dr. Mahmud então criou uma organização, a Tamir-e-Millat, cujo objetivo era ajudar os afegãos a construírem estradas, represas para irrigação e geração de eletricidade e fábricas. Detalhes das atividades de suas organizações foram publicados em Lahore em outubro passado. No entanto, os americanos são tão paranóicos e Musharraf é tão desejoso de prestar-lhes um favor que esses cientistas foram presos e interrogados exaustivamente. Não é preciso ser muito inteligente para perceber que só o conhecimento científico não é o suficiente para produzir armas nucleares. Não é possível montar o motor de um carro, quanto mais uma bomba nuclear, nas montanhas do Afeganistão, por causa da falta de componentes, máquinas e capacidade, mas a paranóia americana ignora isto.

Os texanos do petróleo, mascando seus charutos, estão salivando ante a perspectiva de colocar suas mãos nas reservas do mar Cáspio. Antes de se tornar vice-presidente, Dick Cheney foi o chefe executivo de Halliburton, uma companhia de serviços ligados ao petróleo. Não espanta que ele tenha dito em 1998: "Não posso pensar num tempo quando nós tivemos uma região que tão rapidamente tenha se tornado de importância estratégica como o Cáspio." E George Busch, pai, é consultor do Carlyle Group, chefiado por Nick Carlucci, cujo irmão, Frank, foi secretário de Defesa durante o governo Reagan. O Carlyle Group, uma firma privada de Washington que de acordo com o New York Times tornou-se o 11° maior empreiteiro, tem estreitas ligações com a família de bin Laden. Para um iniciante, isto pode parecer um detalhe menor, mas tais ligações influenciam fortemente a forma pela qual a política americana é conduzida.

A corrida para conquistar e controlar o petróleo e o gás da região do Cáspio também esteve por trás do surgimento do Taleban, com o conhecimento e cooperação dos Estados Unidos, em 1996. Até dezembro de 1998, os americanos festejavam o Taleban.Entre 1996 e 1998, uma companhia petrolífera americana, a UNOCAL, fez umlobby ativo no governo e no congresso americanos para uma conciliação com o Taleban para que um oleoduto pudesse ser construído no Afeganistão, para transportar o petróleo eo gás da Ásia Central.Em outubro de 1998, quando o Taliban anunciou que a Brida, uma companhia petrolífera argentina, iria construir o oleoduto, o humor americano mudou: o Taleban tinha que ser removido e por isso, Usama bin Laden tornou-se o último monstro.

Os americanos se recusam a permitir que o petróleo atravesse o Irã islâmico, o caminho mais natural e econômico. Também não querem que os oleodutos passem pela Rússia ou Azerbaijão, porque isto daria a Moscou o acesso a um fonte energética vital e capacitaria o antigo poder colonial a ressurgir como ator dominante na Ásia Central. O único caminho que os americanos preferem é o que passa pelo Afeganistão, mas o Taleban e Osama estão no caminho. Esta é uma das razões para o ataque militar para desalojá-los. Existe também o caminho da China, mas além de ser muitíssimo mais caro, o desejo americano de controlar o petróleo e o gás é, em parte, para negar livre acesso a Beijing, a superpotência emergente.

A China triplicou seu PIB nos últimos 20 anos, um feito sem precedentes na história. Se continuar com essa taxa de crescimento, no entanto, é previsível que queira acesso a fontes de energia mais baratas e confiáveis, sendo a Ásia Central e o Cáspio a escolha natural. Portanto, as tentativas americanas para controlar essas fontes de energia têm uma importância maior. Da mesma forma, o gás é econômico quando usado próximo de sua fonte;diferentemente do petróleo, o transporte do gás é caro. Só pode ser transportado via gasodutos ou sob a forma liquefeita: os oleodutos disponibilizam o gás  para o uso somente nas regiões interligadas; transformá-lo em líquido é caro e portanto inviável economicamente.

À medida em que a campanha militar se transforme num beco sem saída, outros planos podem surgir. Por exemplo, a última negociação com a Rússia significa permitir a Moscou um caminho livre na Chechênia, enquanto que soldados americanos podem ficar estacionados na Ásia Central, principalmente no Usbequistão e Tadjiquistão. Muito mais sinistro é o plano que permitirá que Rússia e Estados Unidos estabeleçam bases permanentes na região, assim que o Taleban perder o controle de Herat no noroeste e de Mazar-e-Sharif, no norte.Uma base americana em Herat ameaçará o Irã também. Esta é a perspectiva que levanta preocupações legítimas em Teerã.

A política externa americana é determinada pela doutrina da "dominação de amplo espectro": os Estados Unidos precisam controlar o progresso militar, econômico e político em todos os lugares. A China respondeu, procurando expandir seus interesses na Ásia Central. O documento que Beijing publicou no ano passado argumentava que os interesses fundamentais da China estão ... no estabelecimento e manutenção de uma nova ordem de segurança regional." Em Junho, China e Rússia trouxeram quatro repúblicas asiáticas para a Organização Cooperação Shangai. Sua proposta, de acordo com o presidente chinês, Jiang Zemin, é "fomentar uma multipolarização mundial", ou seja, desafiar o papel dos Estados Unidos como a "única superpotência".

O resultado da luta no Afeganistão determinará se os Estados Unidos alcançarão ou não seus objetivos. Se a guerra se arrastar, é provável que a China comece a enviar armas para o Taleban. Se isso acontecer, os russos podem se precipitar também, em retaliação pela derrota sofrida no Afeganistão. Podemos vir a assistir a uma repetição do Vietnam, mas a culpa será dos americanos se aquela humilhação se repetir.

http://www.muslimedia.com/afg-centras.htm

back1.gif (279 bytes)



1