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ATUALIDADES

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O SANGUE NAS MÃOS DE ISRAEL

Quando criminosos de guerra posam de vítimas e o mundo se inclina aceitando

Por Nafeez Mosaddeq Ahmed

  I - Terrorismo de Estado: Intrínseco à ideologia sionista
II - Uma história de agressão sistemática
III - Invasão e ocupação do Líbano
IV - Quem é Ariel Sharon
Conclusão

I - Terrorismo de Estado: Intrínseco à ideologia sionista.

"Forçaram uma guerra de terrorismo contra nós", anunciou o primeiro-ministro Ariel Sharon em um programa de televisão, esboçando os planos de guerra israelenses na esteira dos ataques suicidas dentro do estado sionista. "Se me perguntarem quais são os objetivos desta guerra, responderei. O objetivo dos terroristas é o de expulsar-nos daqui". Em seguida, acrescentou: "Isto não acontecerá. Sabemos quem é o responsável, Arafat é o responsável por tudo o que está acontecendo.

Devemos comparar estas declarações com o relato da testemunha ocular do NYT em Gaza, Chris Hedges, publicado no Harpers Magazine:

"Tudo calmo. O acampamento aguarda, como se prendesse a respiração. Então, além do ar quente e seco, uma voz incorpórea crepita de um alto-falante. 'Venham cachorros', ressoa a voz em árabe. 'Onde estão todos os cães de Khan Yunis? Venham! Venham!' Eu me levanto. Saio da barraca. A imprecação continua a ser vomitada. 'Filho da mãe! Filho de uma prostituta. Suas mães fornicam!'

Os meninos correm em pequenos grupos pelas dunas íngremes em direção à cerca eletrificada que separa o acampamento do assentamento judaico. Eles atiram pedras em dois tanques que se encontram no alto das dunas, equipados com alto-falantes. Três ambulâncias estão em fila logo abaixo na estrada, numa antecipação do que está por vir.

Uma granada explode. Os meninos, muitos não mais do que 10 ou 11 anos, se espalham, correndo desajeitadamente pela areia pesada. Eles saem do meu campo de visão. Não há som de tiros. Os soldados usam silenciadores. As balas dos rifles M-16 caem aos borbotões sobre os pequenos corpos das crianças. Mais tarde, no hospital, verei a destruição: estômagos rasgados, buracos abertos por todo o corpo.

Ontem, neste lugar, os israelenses balearam oito rapazes, seis dos quais deviam ter menos de dezoito anos. Um tinha doze. Esta tarde eles mataram um menino de 11 anos, Ali Murad, e feriram gravemente mais quatro, três dos quais com menos de dezoito anos. Eu fiz a cobertura de crianças sendo mortas em outros países - esquadrões da morte atiravam nelas em El Salvador e Guatemala, mães com seus bebês eram enfileiradas e massacradas na Argélia e atiradores sérvios colocavam as crianças sob suas miras e as observavam cair na rua de Sarajevo - mas, jamais em toda minha vida vi soldados atraírem crianças como ratos em uma armadilha e assassiná-las por esporte." (2)

Será esta a guerra de terrorismo que está sendo imposta a Israel por crianças palestinas, ou o quê?

De acordo com o  American Heritage Dictionary, terrorismo é definido assim:

1. Uso do terror, da violência e da intimidação para se alcançar um fim;
2. Medo e subjugação produzidos por este uso;
3. Sistema de governo que usa o terror para governar.

À luz desta definição americana de terrorismo, lúcida e abrangente, as palavras de Sharon assumem uma nova conotação. Assim, dá-se que os fatos são exatamente o contrário do que ele alega. Contrariamente ao que ele diz, é fato que por toda a história do Estado de Israel, o regime tem consistentemente impingido guerras de terror contra os nativos palestinos, a fim de assegurar a expansão e consolidação do país. Como no início de 1940, o conhecido sionista, Yussef Weitz, diretor do Fundo Nacional Judeu, filiado à Organização Sionista Mundial, que escreveu:

Devemos ter claro que não há lugar para dois povos neste país. Se os árabes partirem, será o bastante para nós. Não há nada a ser feito exceto removê-los, todos, não devemos deixar uma única aldeia, uma única tribo. Devemos explicar a Roosevelt e a todos os chefes dos estados amigos que a terra de Israel não é muito pequena se todos os árabes partirem e se as fronteiras foram empurradas um pouco para o norte até Litani e para o leste até as Colinas do Golan. (3)

Portanto, não são os palestinos que querem a expulsão de todos os judeus da região. Pelo contrário, judeus e não judeus viveram em paz por milhares de anos em terras palestinas. Foi o movimento sionista estrangeiro que, desde o início, concebeu o exílio total do povo palestino não judeu de sua pátria ancestral, para abrir caminho para o novo regime sionista. O historiador israelense, prof. Benny Morris, da Universidade Ben-Gurion, registra o pouco conhecido fato de que: Ben-Gurion nunca escondeu que queria o mínimo possível de árabes no estado judeu. Ele esperava vê-los em fuga. Ele disse isto a colegas e colaboradores em encontros realizados em agosto, setembro e outubro de 1948 (4). Qual foi a metodologia principal que Israel planejou adotar para garantir a expulsão dos palestinos de suas casas? Nada menos do que o terrorismo calculado, brutal, violento, indiscriminado. O prof.Morris completou:

Durante maio de 1948, idéias sobre como consolidar e dar permanência ao exílio palestino começaram a cristalizar-se e a destruição de aldeias foi logo percebida como uma etapa inicial de se alcançar este objetivo.(Mesmo antes), no dia 10 de abril, unidades do Haganah tomaram Abu Shusha. A aldeia foi destruída naquela noite. Khulda foi posta abaixo pelas escavadeiras judaicas no dia 20 de abril. Abu Zureiq foi completamente demolida em meados de 1949, a maioria (das 350 aldeias vazias) estavam inteira ou parcialmente em ruínas e desabitadas.(5)

Assim, a liderança sionista tinha planejado desde o início o processo de absorção de toda a Palestina, em conformidade com a consolidação do Estado de Israel. Em uma discussão interna em 1938, o primeiro primeiro-ministro israelense, David Ben-Gurion, declarou que: Quando nos tornarmos uma força capaz como conseqüência da criação de um estado, acabaremos com a partilha e nos expandiremos por toda a Palestina. O estado será a realização do sionismo e sua tarefa é abrir caminho para nossa expansão em toda a Palestina (6). Ele também articulou a oposição israelense ao plano de partilha da ONU: O Estado de Israel considera a resolução da ONU de 29 de novembro de 1947 nula e sem efeito.(7) Menachim Begin mais tarde diria:

A partilha da pátria é ilegal. Jamais será reconhecida. A assinatura de instituições e indivíduos no acordo sobre a partilha é inválida. Tal acordo não sujeita o povo judeu. Jerusalém foi e será para sempre nossa capital. Eretz Israel (Terra de Israel) será devolvida ao povo de Israel. Toda ela. E para sempre.(8)

Como conseqüência desta mentalidade dogmática, a política de procurar a limpeza étnica em massa da população nativa foi uma estratégia militar israelense, embora isto nunca tenha sido amplamente publicado para evitar uma condenação histórica e internacional. Tzvi Shiloah, um antigo veterano do Partido Mapai, e ex-deputado pela cidade de Hertzeliyah, recordou-se de que em 1948,deliberadamente nós, e não apenas no calor da guerra, expulsamos os árabes. Também em 1967, depois da Guerra dos Seis Dias, nós expulsamos muitos árabes (9). O historiador israelense, Ilan Pappe, professor associado de História do Oriente Médio na Universidade de Haifa, concorda que: havia um plano sionista não escrito de expulsar os árabes da Palestina em 1948. De 1° de abril de 1948 até o fim da guerra, as operações judaicas foram orientadas pelo desejo de ocupar o máximo possível da Palestina (10).

Massacres genocidas sistemáticos e espontâneos de palestinos em suas aldeias começaram a acontecer, como uma conseqüência de tais operações, conforme documentado pelo historiador militar israelense, Aryeh Yitzakhi, da Faculdade de Estudos Eretz Yisrael, da Universidade de Bar Ilan (Tel Aviv) e assistente na cadeira de História Militar, dos cursos da Força de Defesa Israelense (FDI) ministrados a oficiais militares. Yitzakhi é particularmente qualificado nesta área devido à facilidade de acesso aos arquivos das FDI, de onde ele tirou suas conclusões. Nos anos 60, ele serviu como Diretor dos arquivos das FDI dentro de uma estrutura adaptada à sua capacidade como historiador. Ele registra que:

Em quase todas as  aldeias conquistadas na Guerra de Independência, foram cometidos atos que são definidos como crimes de guerra, tais como mortes indiscriminadas, massacres e estupros. Para muitos israelenses era mais fácil encontrar consolo na mentira de que os árabes tinha abandonado o país sob as ordens de suas lideranças. Esta é uma invenção total e completa. A causa fundamental da fuga dos árabes foi o medo da retaliação israelense e esse medo não era de todo descabido. De quase todos os relatos constantes dos arquivos das FDI relativos à conquista das aldeias árabes entre maio e julho de 1948 - quando choques com os aldeões foram os mais violentos - emana um cheiro de massacre. (11)

Um dos maiores massacres, mas pouco conhecido, é o da aldeia de al-Dawayima, no distrito de Hebron (população de 4.300 habitantes). Na tarde de sexta-feira do dia 29 de outubro de 1948, três unidades do 89° Batalhão (8° Brigada) entraram na aldeia vindas de três direções, deixando o leste desimpedido e a ocuparam sem encontrarem resistência, de acordo com o testemunho de soldados israelenses. O soldado continuou:

A primeira leva de conquistadores matou cerca de 80 a 100 árabes, mulheres e crianças. As crianças eles mataram quebrando seus cabeças com paus. Não houve uma casa sequer que não tivesse um morto. Uma mulher com um recém-nascido nos braços foi usada para limpar o quintal ... (eles) a balearam e à criança também ... Isto não se deu no calor da batalha ... mas um sistema de expulsão e destruição. (12)

Assim, a guerra de 1948 do terrorismo sionista criou um grande problema de refugiados palestinos, com pelo menos 750.000 homens, mulheres e crianças forçados a fugirem de suas casas, muitos deles expulsos à força pelos israelenses. Mais de 300.000 refugiados palestinos foram para a Cisjordânia e cerca de 200.000 foram para a Faixa de Gaza, para se estabelecerem em campos de refugiados esquálidos, superpovoados e áridos, administrados pela Organização de Assistência da ONU. Após 1948, os refugiados tentaram voltar para o que se tornara o Estado de Israel, violando a Lei de Retorno elaborada pelos regimes sionistas. Entre 2.700 e 5.000 deles foram mortos pelos soldados israelenses, enquanto cruzavam a fronteira - muito poucos conseguiram. Os refugiados se chocaram com os colonos, o exército e a polícia israelenses, quando as perdas israelenses alcançaram entre 190 a 220 mortos no período de 1949 a 1954. (13) Para impedir o retorno da população nativa, o exército israelense começou a atacar os campos de refugiados palestinos na Cisjordânia e Faixa de Gaza. Bennu Morris documentou exaustivamente as numerosas mortes cometidas pelas forças israelenses neste período (14).

II. Uma História de Agressão Sistemática

Desde então, as sistemáticas declarações de guerra de terrorismo pelo Estado de Israel são um fato. A Guerra dos Seis Dias, de 1967, por exemplo, embora considerada responsável pela grave ameaça imposta ao estado sionista pelos árabes, na verdade a responsabilidade inicial foi de Israel. O General Ezar Weizman, na época chefe israelense das operações, admitiu que Egito e Síria, que convencionou-se serem os iniciadores da agressão, jamais ameaçaram Israel. Nunca houve perigo de extermínio. Esta hipótese jamais foi considerada em qualquer reunião séria.(15) O General Chaim Herzog, comandante geral e primeiro governador militar dos territórios ocupados da Cisjordânia admitiu: Não houve perigo de aniquilação. O comando central jamais acreditou nesta possibilidade. (16).

A Guerra dos Seis Dias foi, de fato, uma guerra de agressão israelense, perpetrada para ampliar ilegalmente as fronteiras do estado. Yigal Allon, ministro do Trabalho e membro do Comitê Militar Consultivo Eshkols, ao se referir à Guerra dos Seis Dias afirmou inequivocamente: Begin e eu queríamos Jerusalém (17). Mordechai Bentov, ministro do Interior israelense, disse: Toda a história de perigo de extermínio foi inventada em seus mínimos detalhes e exagerada depois, para justificar a anexação do novo território árabe (18). Realmente, todo o episódio foi meticulosamente planejado pelo exército israelense. O general Mordechai Hod, comandante geral da Aeronáutica israelense admitiu que: Dezesseis anos de planejamento se transformaram naqueles 80 minutos iniciais (da Guerra dos Seis Dias). Vivíamos com o plano, dormíamos sobre o plano, comíamos o plano. Constantemente nós o aperfeiçoávamos. (19)

A este respeito, o próprio Menachim Begin admitiu: Em junho de 1967, nós tínhamos uma opção. A concentração do exército egípcio nas proximidades do Sinai não provam que Nasser iria realmente nos atacar. Devemos ser honestos conosco. Decidimos atacá-lo (20). O ministro da Defesa de Israel da época, fez revelações semelhantes. De acordo com o New York Times: Moshe Dayan, o festejado comandante que, como ministro da Defesa em 1967, deu a ordem para conquistar o Golan (disse) que muitas das escaramuças com os sírios foram provocadas deliberadamente por Israel e os residentes dos kibbutz, que pressionavam o governo a tomar as Colinas do Golan menos por uma questão de segurança e mais para a agricultura (21). Dayan atestou que pelo menos 80% de duas décadas de choques de fronteira foram de fato iniciados por Israel, sob pressão de colonos e comandantes militares no norte de Israel(22). Isto coincide com a avaliação do general Matityahu Peled,que admitiu que 'mais da metade dos choques ocorridos na fronteira antes da guerra de 1967 foram resultado de nossa política de segurança de criar acampamentos nas zonas desmilitarizadas' (23).

Os detalhes desses choques foram documentados pelo jornalista inglês e especialista em Oriente Médio, David Hirst, que observa que os israelenses começaram apresentando uma reclamação ilegal de soberania na região (na fronteira síria) e depois prosseguiram, aproveitando a oportunidade, para usurpar todas as disposições específicas contra a introdução de forças armadas e fortificações.

Repetidas vezes eles obstruíram as operações de observadores da ONU e, em uma ocasião, até ameaçaram matá-los. Eles se recusaram a cooperar com a Comissão Mista do Armistício e quando foram enquadrados, simplesmente rejeitaram as regras e exigências dos observadores. Eles expulsaram, quando não forçaram, os habitantes árabes e arrasaram suas aldeias. Transplantaram árvores como uma estratégia de avançar a fronteira em benefício próprio. Construíram estradas, violando orientação da ONU. Realizaram escavações em território árabe para seus próprios projetos de drenagem (24).

O general sueco, Carl von Horn, chefe das forças de paz da ONU na região, observou que tudo isto foi parte de uma política israelense premeditada, para avançar em direção á Zona Desmilitarizada a antiga fronteira palestina (conforme mostrado em seus mapas) e tirar todos os árabes do caminho por meios lícitos ou sujos.

Os judeus desenvolveram um hábito de irrigar e lavrar nos espaços da terra árabe, pois o solo era tão fértil que qualquer metro quadrado representava uma mina de ouro. Aos poucos, sob o olhar ameaçador dos sírios, que detinham a parte alta dominando a Zona, a região tornou-se uma rede de canais de irrigação israelense, avançando e usurpando a propriedade da população árabe (25).

O analista americano, Sheldon L.Richman, do Instituto Cato, em Washington, relata que:

Esta política continuou assim por toda a década de 50. A maioria dos 2.000 árabes que viviam na região foram forçados a sair em 1956. Muitos se mudaram para as terras íngremes abaixo das Colinas do Golan. Em resposta à expulsão dos árabes da Zona, as desamparadas forças sírias acampadas nas Colinas começaram a atirar nos israelenses, principalmente quando seus tratores começaram a arar a terra em direção à zona desmilitarizada. O general von Horn estava convencido de que os tiros não teria acontecido se os israelenses não tivessem provocado deliberadamente. (26)

De acordo com o ministro da Defesa, Moshe Dayan, os colonos israelenses sequer tentaram esconder sua ganância pela terra, querendo apoderar-se de um pedaço até que o inimigo se cansasse de nós. Descrevendo a idéia de que a Síria estava ameaçando Israel antes da guerra de 1967 como um disparate, ele afirmou categoricamente que: eu sei como pelo menos 80% de todos os incidentes com a Síria começaram. Nós enviamos um trator para lavrar uma parte da área desmilitarizada onde não era possível fazer qualquer coisa, e sabíamos que os sírios começariam a atirar. Se eles não atirassem avançaríamos com o trator até que os sírios se irritassem e atirassem. E, então, usaríamos a artilharia e depois a força aérea, e foi assim que aconteceu. Não se ataca o inimigo porque ele é um bastardo e sim porque ele ameaça e os sírios no quarto dia da guerra não mais nos ameaçavam. (27)

Conforme Hirst observa, a interpretação mais benigna desta política israelense foi a de que o regime tinha feito o possível para provocar a Síria a abrir fogo. De acordo com um observador da ONU no local: foi um ataque premeditado de intimidação motivada pelo desejo dos israelenses ... de irritar os estados árabes e provocar um ato de agressão que lhes daria a oportunidade de ocupar um território adicional sem provocar censura. (28) Nas palavras do Washington Post: Israel, com seu apetite pela terra para ganhos políticos, estava no exemplo do Golan como um agressor e não como vítima de uma agressão. (29)

A guerra de Israel teve conseqüências devastadoras para a população palestina nativa, que enfrentou a violência máxima da política dos regimes sionistas de intimidação, provocação e terror. O intelectual judeu, Alfred Lilienthal, observou que:

De acordo com números fornecidos pela ONU, para solidificar seus ganhos após a guerra de 1967, os israelenses, entre junho de 1967 e novembro de 1969, destruíram cerca de 7.554 casas de árabes palestinos nos territórios ocupados durante aquela guerra; estes números excluem 35 aldeias das Colinas do Golan que foram riscadas do mapa. Nos dois anos entre setembro de 1969 e 1971, estima-se que este número atingiu 16.312 casas. (30)

Em sua ocupação das Colinas do Golan, Israel expulsou um total de mais de 120.000 habitantes, principalmente sírios, mas também muitos milhares de refugiados palestinos. Simultaneamente Israel destruiu duas cidades, 133 aldeias e 61 fazendas. Apenas 6.396 habitantes permaneceram nas 6 aldeias deixadas intactas. (31)

Repetidas vezes encontramos a mesma política de agressão e provocação, com o terrorismo sendo adotado por Israel para construir um conflito pelo qual expande as fronteiras e apodera-se de mais terra. A guerra do Yom Kippur, de 1973, por exemplo, foi provocada por uma intransigência israelense e não foi uma tentativa de se defender de ameaças militares dos árabes contra a existência do Estado de Israel. Como Yitzhak Rabin admitiu:

A Guerra do Yom Kippur não foi feita pelo Egito e Síria para ameaçar a existência de Israel. Foi o uso total de sua força militar para alcançar um objetivo político específico. O que Sadat queria ao cruzar o canal era mudar a realidade política e, assim, começar um processo (de paz) político em uma posição mais favorável para ele do que a que existia anteriormente. (32)

O historiador israelense, prof. Benny Morris, esclarece o contexto da intransigência sionista em que isto aconteceu, observando que, de acordo com a memória dos políticos do Partido Trabalhista israelense dos anos 70: a primeira-ministra de Israel, Golda Meir, rejeitou uma oferta de paz razoável do Egito em 1970, forçando, assim, os árabes a iniciarem a guerra de outubro de 1973. (33) De fato, as sistemáticas mentiras e exageros das ameaças contra Israel para justificar a provocação e o começo das guerras de terrorismo parece ser a estratégia oficial para a expansão sionista. Nos diário pessoal do primeiro-ministro israelense, Moshe Sharatts, existe um texto, de maio de 1995, onde ele cita o ministro da Defesa, Moshe Dayan, como se segue:

(Israel) deve ver a espada como o principal, senão o único, instrumento para manter o moral elevado e conservar a tensão moral. Para este fim, pode, e não deve, inventar perigos e para fazer isto deve adotar o método da provocação e vingança e, acima de tudo, esperemos por uma nova guerra com os países árabes, a fim de que nós finalmente nos livremos de nossos problemas e conquistemos nosso espaço. (34)

Durante a existência de Israel, o estado sionista perpetrou consistentemente uma política de repressão violenta contra os palestinos nativos. Conforme o Centro para os Direitos Econômicos e Sociais (CESR) relata no sumário do registro sangrento do terrorismo israelense: na Guerra de 1948, Israel estendeu seu controle sobre 77% do território do antigo mandato palestino e expulsou quase que toda a população árabe-palestina.

Apenas 100.000 residentes permaneceram de uma população que antes da guerra beirava 1 milhão de habitantes. Israel conquistou o resto da Palestina na Guerra de 1967, criando outros 300.000 refugiados, muitos deles refugiados pela segunda vez. Para construir um estado judeu nestas terras conquistadas e apagar a memória de séculos de existência palestina, Israel:

  1. arrasou mais de 500 aldeias e vilas palestinas;
  2. converteu a terra dos palestinos em propriedade do estado para benefício de judeus somente (excluindo até os cidadãos árabes de Israel);
  3. Rejeitou o retorno de qualquer refugiado palestino enquanto reconhecia o direito de retorno de todo cidadão judeu que vivia em qualquer outro país;
  4. Manteve uma ocupação militar do território palestino através de uma política de mão-de-ferro de resposta desproporcional à resistência palestina.
  5. Não permitiu o desenvolvimento econômico nos territórios ocupados enquanto redirecionava a força de trabalho palestina para atender às necessidades econômicas de Israel; e
  6. Recusou a definir suas próprias fronteiras (apesar de aceitar as fronteiras determinadas na resolução 181), a fim de justificar sua continuada expansão ilegal.

III. A Invasão e Ocupação do Líbano

A invasão e ocupação israelense do Líbano nos fornece um outro exemplo excepcional da natureza rotineira da iniciação agressiva das guerras de terrorismo. A política dos regimes de expansão livre através da aquisição violenta de território continuou em fevereiro de 1973, quando Israel começou sua invasão atacando o norte do Líbano, por mar e ar, matando 31 civis. Escolas, clínicas e outros prédios civis foram alvejados indiscriminadamente e destruídos. Em dezembro de 1975, mais 50 pessoas foram assassinadas no bombardeio e campos de refugiados palestinos e aldeias foram varridos pelos aviões de guerra israelenses. Os ataques não tiveram qualquer provocação da OLP. Em novembro de 1977, 70 pessoas foram mortas quando a cidade libanesa de Nabatiye ficou sob fogo israelense - de novo sem qualquer provocação - sendo severamente atacada pelas baterias israelense em ambos os lados da fronteira. Em 1978, com a invasão de Israel, a população de Nabatiye foi reduzida de 60.000 para 5.000, e os remanescentes fugiram com medo das bombas israelenses. Tais acontecimentos continuaram impunemente assim como contaram com a aprovação e apoio de vários poderes ocidentais, principalmente dos Estados Unidos (35)

Em 1978, Israel, de modo apropriado, invadiu o sul do Líbano com um exército de 20.000 soldados. A conseqüência foi a morte de milhares de civis libaneses e palestinos e o deslocamento de centenas de milhares para o norte do país. Um acontecimento pouco abonador durante esta invasão foi o massacre de todos os habitantes remanescentes da cidade libanesa de Khiam, promovido pelo Major Haddad, da milícia israelense, e que agora controlava a região sul do Líbano. Graças ao bombardeio israelense de anos anteriores, a população já tinha sido reduzida de 30.000 para 32. A população restante foi massacrada sem piedade por agentes de Haddad e Khiam foi escolhida como o lugar de seu novo campo de prisioneiros, Ansar I, cujas condições repugnantes e tortura selvagem lembram os campos de concentração nazistas. Em agosto de 1979, o governo libanês relatou que quase 1.000 civis tinham sido mortos nos ataques israelenses subsequentes. (36)

Podemos nos referir a duas importantes declarações que inequivocamente expõem a natureza de todas essas guerras israelenses. O general Mordechai Gur, quando perguntado sobre a guerra de Israel contra o Líbano, admitiu em uma entrevista:

Não sou daquelas pessoas que têm memória seletiva. Vocês acham que eu tenho a pretensão de não saber o que fizemos todos aqueles anos? O que fizemos no Canal de Suez? Um milhão e meio de refugiados! Realmente, onde você vive? Bombardeamos Ismailia, Suez, Port Said, Port Fuad. Um milhão e meio de refugiados. Desde quando a população do sul do Líbano ficou tão sagrada? Após o massacre de Avivim, tive quatro aldeias no sul do Líbano bombardeadas. Você sabia que todo o vale do Jordão foi esvaziado de seus habitantes como resultado da guerra de atrito (1969-1970)? Quando autorizei Yanouch (diminutivo do nome do comandante do lado norte, responsável pela operação libanesa) a usar a aviação, a artilharia e tanques (na invasão), eu sabia exatamente o que estava fazendo. Por 30 anos, desde a Guerra da Independência até agora, vimos lutando contra a população civil (árabe) que mora nas aldeias e cidades. (37)

Ele também observou que o exército israelense foi responsável pelo saque que se seguiu aos ataques de abril de 1948 a Jaffa e Haifa; pelo bombardeio de aldeias árabes e da cidade de Irbid, no Jordão; pela limpeza do Vale do Jordão de toda sua população; deslocamento de um milhão e meio de civis da região do Canal de Suez, em 1970. Percebendo as observações de Gurs, o analista militar israelense, Zeer Schiff, comentou adiante:

No sul do Líbano abatemos a população civil conscientemente porque ela merecia isto ... a importância das observações do (general) Gurs é a confissão de que o exército israelense sempre atacou as populações civis intencional e conscientemente... o exército, disse ele, nunca fez a diferença entre alvos civis (de militares) ... (mas) intencionalmente atacou alvos civis, mesmo quando os assentamentos israelenses não tinham sido atacados. (38).

É difícil imaginar uma confissão mais clara do fato de que a estratégia militar israelense sempre empregou e sempre empregará o terrorismo, não defensivamente, mas ofensivamente, iniciando agressões independente de suas alegadas preocupações com a segurança. Não surpreende, portanto, que a justificativa para a ocupação do sul do Líbano tenha sido a manutenção de uma Zona de Segurança lá para a proteção de sua fronteira norte. A realidade é ligeiramente diferente - uma das razões estratégicas mais fundamental para a invasão é que Israel queria assegurar um controle sem limites da água do rio Litani, no Líbano. A Comissão Econômica e Social da ONU para a Ásia Ocidental relatou que Israel começou a usar a água do rio Litani através de um túnel de 11 milhas, assim como das correntes Wazzani do Líbano. (39)

O Conselho de Segurança da ONU reagiu à invasão do Líbano de 1978, baixando as resoluções 425 e 426, exigindo uma retirada inequívoca das forças israelenses e estabelecendo um sistema de fiscalização do processo de retirada. (40) Mas, em julho de 1981, Israel continuou seu modelo de violações de cessar-fogo, promovendo ataques provocativos a alvos civis libaneses, de acordo com a estratégia indicada por Moshe Dayan. A retaliação palestina veio e foi respondida por Israel com um pesado bombardeio que resultou no massacre de 450 árabes - principalmente de civis libaneses. De acordo com o correspondente americano, Edward W. Miller, no Coastal Post: (Em) julho de 1981, Israel usando supostas armas feitas pelos palestinos como desculpa, mais uma vez submeteu o Líbano a ataques terroristas. Israel bombardeou Beirute, matando mais de 450 cidadãos e ferindo mais 800 (41). O intelectual judeu, Noam Chomsky, professor de Lingüística e Filosofia do MIT, documenta o fato de que a OLP aderiu rigorosamente ao cessar-fogo de meados de 1981, enquanto Israel aumentava as flagrantes violações do acordo, atacando e matando os civis, afundando barcos de pesca, violando o espaço aéreo libanês milhares de vezes e realizando outras provocações para obter alguma resposta da OLP que pudesse ser usada como pretexto para a invasão planejada. (42)

O contexto da invasão sem precedentes que se seguiu em 1982, orquestrada basicamente pelo general Ariel Sharon, foi definida de forma lúcida por Miller assim:

As coisas estavam razoavelmente calmas por algum tempo, mas em fevereiro de 1982, o major israelense, Yehoshua Saguym, chefe do Serviço de Inteligência de Israel, se reuniu com funcionários do Pentágono e o secretário de Defesa, Haig, para definir os planos israelense para uma invasão maior. Após esta reunião, Israel pegou equipamentos militares dos Estados Unidos, no valor de US$217.695.000, e em seguida nossa mídia começou a preparar os americanos para a operação militar, revelando que a OLP estava recebendo foguetes soviéticos e outros suprimentos, supostamente com o objetivo de ameaçar Israel. (43)

Israel tentou justificar sua operação afirmando que a OLP estava comprometida com o terrorismo dos estados fronteiriços. De fato, a fronteira tinha estado calma por 11 meses, sem contar com as retaliações às provocações israelenses, conforme observou o prof. Stephen Shalom do Departamento de Ciência Política da Universidade William Paterson, de Nova Jersey. (44) Não tendo conseguido uma resposta defensiva por parte da OLP que pudesse ser explorada para justificar a invasão em grande escala do Líbano, Israel simplesmente inventou uma desculpa para cumprir seu plano de subjugar o país a seu bel prazer. O estado sionista alegou que a invasão foi uma resposta a uma tentativa de assassinato do embaixador israelense em Londres. No entanto, a OLP não tinha nada a ver com este atentado. Como Israel e toda a comunidade internacional sabiam, esta tentativa de assassinato foi, na verdade, realizada pela organização terrorista Abu Nidal que tinha estado em guerra com a OLP por anos a fio. Abu Nidal sequer tem qualquer espécie de presença no Líbano.

Aproximadamente 20.000 civis palestinos e libaneses foram mortos, mais de 30.000 feridos, a capital, Beirute, e grande parte do sul do Líbano foram destruídos, os suprimentos de água e energia elétrica foram cortados e inúmeras atrocidades foram cometidas pelos soldados israelenses durante a invasão. Esta seqüência de fatos só foi possível primeiramente devido ao apoio americano infalível ao regime sionista, que incluía os contínuos vetos aos esforços do Conselho de Segurança da ONU para parar com o terror (46). Nas prolongadas negociações que se seguiram, diz Miller:

Funcionários da OLP e alguns refugiados palestinos foram evacuados por navio para Túnis e outros países árabes. Alguns familiares, que deveriam ter seguido e a quem fora prometido salvo-conduto, foram massacrados pelas forças falangistas sob as ordens de Israel. Mais de 1.000 mulheres, crianças e velhos foram abatidos nos campos de refugiados de Sabra e Shatila.

Ariel Sharon foi fortemente criticado por seu papel neste crime de guerra. Milhares de cidadãos israelenses marcharam pelas ruas de Israel para protestar. Para aplacar o clamor público, Sharon foi exonerado de seu cargo de comandante imediato, mas recompensado com um posto no Knesset. Esta invasão matou cerca de 30.000 civis, devastou Beirute, onde mais de 500.000 pessoas foram expulsas de suas casas. Quanto àqueles que não foram mortos pelas bombas fugiram para as aldeias vizinhas. O navio President Reagan USS, fundeado no litoral, lançou bombas sobre estas aldeias. Beirute, atualmente, ainda está em processo de reconstrução, como estava em 1996 mais de uma década depois da invasão. O envolvimento americano na guerra de 1982, destruiu o pouco de credibilidade que ainda tínhamos no Oriente Médio, custou aos nossos contribuintes bilhões e mais a vida de quase 300 fuzileiros navais americanos, mas deixou Israel ainda ocupando o sul do Líbano, apesar da orientação do Conselho de Segurança da ONU para que saísse de lá.(47) Em seguida, o presidente americano, Ronald Reagan, garantiu aos líderes sionistas que as sanções americanas não seriam impostas a Israel. Mas, temeroso da péssima imagem que o regime estava adquirindo por causa de sua política de terror, ele também advertiu o ministro das Relações Exteriores, Yitzhak Shamir. Se tais práticas israelenses continuarem, ficará cada vez mais difícil defender a proposição de que o uso de armas americanas tem objetivos defensivos. (48)

A resistência local à ocupação israelense começou a surgir e se solidificou em 1982. O principal grupo local de resistência era conhecido como Hizbullah. Eles finalmente se transformaram em uma força combatente poderosa na região, e continuaram garantindo apoio de outros países da região. Conforme o jornalista Edward W. Miller assinala:

A tantas vezes repudiada organização Hizbullah foi formada em 1982, após aquela terrível invasão, especificamente para proteger o sul do Líbano de posteriores atos de violência de Israel. O Irã foi parte em sua formação e tem mantido algum grau de apoio, assim como Assad da Síria, motivo porque o poderoso lobby israelense em Washington tem pressionado o Congresso a isolar o Irã e a difamar a Síria. Na verdade, faz pouca diferença quem apoia o Hizbullah. A campanha israelense para difamar os dois países muçulmanos e seus líderes pretende desviar a atenção mundial de seu intento em continuar a destruição econômica do Líbano, assim como roubar a irrigação das águas do rio Litani. Muitas autoridades do Oriente Médio concordam que os libaneses precisarão do apoio do Hizbullah até que os soldados israelenses abandonem o país. (49)

Entre 1985 e 1986, Israel começou a desenvolver uma nova política de mão-de-ferro para o país, para eliminar o movimento de resistência que tinha sido formado para expulsar as forças de ocupação israelenses. O plano básico era invadir as aldeias libanesas e massacrar seus habitantes, para forçar o Hizbullah a sair do sul do Líbano. Isto seria conseguido com o bombardeio da área norte da zona de ocupação israelense, na esperança de que o povo que perdeu suas casas se voltaria contra a resistência. (50) Como de costume, o terrorismo era para ser a estratégia militar principal. O New York Times observou que: o objetivo israelense tem sido o de criar um número incalculável de refugiados no Líbano ... para restringir os ataques do Hizbullah (51).

Por conseguinte, em 25 de julho de 1993, Israel iniciou o que a mídia chamou de o maior assalto militar ao Líbano desde 1982. Israel se justificou alegando que tinha sido provocado pelos ataques do Hizbullah aos soldados israelenses no sul do Líbano, onde sete deles morreram. Uma desculpa mais redundante - ou incorreta - para a chacina de 1992 é difícil de se imaginar. Diferentemente do que se possa achar, a população nativa que sofre sob regimes de ocupação tem o direito garantido pela legislação internacional de resistir àquela ocupação por meios militares, se necessário. (52) Israel sempre respondeu à resistência local, que definia a ocupação pelas forças militares de ilegal, com um brutal terrorismo contra não só os combatentes mas também contra inocentes civis. O cientista político Stephen Shalom, professor da Universidade William Paterson, assinalou que:

Por muitos anos, o modelo foi o de que quando as guerrilhas libanesas atacam os soldados das Forças de Ocupação Israelense no sul do Líbano, Israel responde com o que só pode ser chamado de terrorismo. Por exemplo, quando três soldados israelenses foram mortos em abril de 1993, os helicópteros israelenses lançaram pelo menos 15 mísseis em três casas, uma padaria e um vale fora da zona, enquanto tanques e artilharia lançavam 200 bombas nas aldeias da região, ferindo 8 civis e um soldado da ONU (New York Times, 14/04/93).(53)

Enquanto Israel continuava a atacar civis indiscriminadamente, o Hizbullah na maior parte do tempo absteve-se de agir assim. Na verdade, a resistência só começou a atirar no setor civil do norte de Israel como uma conseqüência do terrorismo sistemático e continuado sobre civis libaneses. A este respeito, devemos observar o estudo comparativo do Human Rights Watchs (HRW) sobre as operações do Hizbullah e de Israel. Analisando uma amostra de 45 incidentes durante o período entre julho 93 e o começo da Operação Vinhas da Ira, de 1996, o HRW conclui que todos os ataques do Hizbullah no norte de Israel foram de retaliação. A consistente seqüência de ações militares é como se segue: o Hizbullah ataca as forças de ocupação no sul do Líbano; a isto se segue ataques israelenses sobre civis libaneses ao norte da zona de segurança; então o Hizbullah lança foguetes ao norte de Israel. Em outras palavras, o Hizbullah só atirou no norte de Israel em resposta aos bombardeios israelenses sobre civis no Líbano. (54) Ao comentar sobre esta seqüência de eventos, o prof. Noam Chomsky registrou que:

A zona de segurança é uma região ao sul do Líbano que Israel, de uma forma ou de outra, ocupou desde a invasão de 1978. Nos anos recentes, ela foi tomada por um exército mercenário terrorista (Exército do Sul do Líbano do General Lahd), patrocinado pelas forças militares israelenses. Qualquer resistência local ao governo de Israel e seus agentes é considerado terrorismo, o que dá direito a Israel de contra-atacar o Líbano como quiser (retaliação, compensação, etc.) - o que o general Barak opta por definir como revidar os atacantes. Mas a resistência não tem o direito de retaliar bombardeando o norte de Israel. Estas são as regras: um objetivo do ataque israelense de julho de 1993 foi para que elas fossem cumpridas. O governo dos Estados Unidos concorda que são normas operativas, ainda que ocasionalmente expresse algum escrúpulo sobre as táticas adotadas para que sejam respeitadas - enquanto isso fornece um enorme fluxo de armas e apoio diplomático. Desnecessário perguntar qual seria a reação se qualquer estado que não usufrua das benesses de Washington efetuasse tais atrocidades, em flagrante violação do Direito Internacional e da Carta das ONU, onde tais trivialidades foram consideradas importantes. (55)

Em 30 de julho, o Hizbullah pediu o fim total e permanente da agressão contra civis e aldeias e dos ataques israelenses por terra, mar e ar sobre todo o território libanês, como condição para a cessação de seus ataques ao norte de Israel. A proposta, que basicamente oferecia a suspensão de represálias contra setores civis israelenses assim que Israel cessasse seus bombardeios contra o Líbano, inclusive civis e infra-estrutura civil, segundo o New York Times recebeu uma resposta colérica de Jerusalém. A proposta foi rejeitada sem qualquer consideração. As normas, observou Chomsky, são que Israel tem a permissão para atacar as aldeias e os civis à vontade, em qualquer lugar, se suas forças de ocupação forem atacadas no sul do Líbano. Uma vez que tais normas também são aceitas por Washington, a declaração do Hizbullah foi rejeitada aqui também (56). Em 31 de julho, quando foi estabelecido um cessar fogo promovido pelos Estados Unidos, 500.000 civis libaneses tinham sido expulsos de suas casas e cerca de 119 tinham morrido, assim como 3 sírios e 3 israelenses. (57)

É digno de nota que a ascensão da militância entre os grupos de resistência palestinos em geral é uma conseqüência do terrorismo diário de Israel. O correspondente do New York Times, Chris Hedges, antigo chefe do escritório do Dallas Morning News em Jerusalém, de 1988 a 1990, e ex-chefe do escritório do New York Times de 1991 a 1995, observou que:

Se Oslo tivesse levado, como muitos esperavam, a uma solução de dois estados, e assim tivesse dado aos palestinos um vislumbre de uma vida melhor, pode-se apostar que o Hamas seria uma força marginal em Gaza. Mas a ocupação israelense e a má administração de Arafat transformaram isto numa questão de tempo antes que os militantes cheguem ao poder. O Hamas é conhecido fora de Israel principalmente por seus ataques suicidas contra civis israelenses. O sheikh me diz que o Hamas ordena que seu braço armado, o Is al-Din al-Qassam, promova ataques suicidas a alvos civis israelenses porque os soldados israelenses e os colonos armados freqüentemente atacam civis palestinos. Enquanto eles atirarem em nossos civis, nós atiraremos em seus civis, diz ele. Só pararemos quando eles pararem.

Mais adiante Hedges observa que esta política de retaliação não existiu por uma década durante a ocupação, mas que surgiu como resultado dos ataques terroristas israelenses a civis palestinos. De 1987 a 1993, durante a primeira Intifada, o Hamas atacou somente soldados e acampamentos israelenses. Ele começou a atacar civis israelenses depois que um colono judeu, Baruch Goldsrein, atirou em 29 muçulmanos que rezavam na Mesquita Ibrahim, em Hebron. (58)

Continuando com esta política periódica de terror e agressão, em 11 de abril de 1996, Israel iniciou uma outra onda de ataques ilegais ao sul do Líbano e ao coração de Beirute. O Coastal Post registrou o começo da operação:

Com o presidente Clinton a salvo no Japão, Israel, obviamente com o sinal verde da administração americana, sentiu-se livre para realizar as Vinhas da Ira, seu quinto maior ataque terrorista em seus antigos campos de morte no sul do Líbano. Usando como desculpa alguns foguetes Catiusha dirigidos ao seu exército (que tinha ocupado ilegalmente e ameaçado o povo libanês do sul desde 1978), o exército de Israel, em comemoração ao aniversário do Holocausto, determinado na morte e mutilação, está agora destruindo milhões de dólares em bens, matando civis e criando o caos com a população em debandada para o norte de Beirute.(59)

Nos estágios iniciais, 4 helicópteros Apache americanos lançaram-se sobre áreas densamente povoadas de Beirute e atiraram pelo menos 7 mísseis. Carros e casas de civis foram destruídos. Como de costume, o secretário de estado americano jogou para o Hizbullah a responsabilidade pelo lançamento dos foguetes na fronteira norte de Israel. Esta afirmação, no entanto, ignorava o fato de que Israel estava, de modo implacável, comprometido em aterrorizar civis libaneses, violando continuamente o cessar fogo, enquanto tentava consolidar sua ocupação ilegal, contrariando a resolução 425 da ONU, que exige uma retirada unilateral de suas forças da região. A atividade do Hizbullah foi uma resposta à ocupação militar ilegal do território libanês e, neste caso, à própria violação de Israel às normas não escritas do acordo de 1993, iniciando o bombardeio das aldeias do sul do Líbano. (60)

De acordo com o jornalista inglês Robert Fisk, com base em fontes da ONU, o Hizbullah atirou legitimamente em um patrulha israelense que colocava minas na estrada da aldeia de Bradchit, em 18 de abril de 1996. Dez dias antes, um menino libanês tinha sido morto por uma dessas minas na estrada da mesma aldeia, plantada por soldados israelenses. Como Fisk observou, a ação do Hizbullah foi uma resposta justificada à colocação de minas em locais civis ao norte da zona de segurança por uma patrulha israelense. A retaliação do Hizbullah provocou o ataque israelense ao campo de refugiados da ONU em Qana, que culminou com o bombardeio (61)

A operação Vinhas da Ira resultou no desencadeamento da costumeira devastação: 17 aldeias foram esmagadas, mais de meio milhão de pessoas tornaram-se sem teto, mais de 100 foram mortas e centenas ficaram feridas.(62)

Até onde Israel e os países que apoiam o regime sionista entemdem, a população nativa não tem direito a se defender quando o agressor planta minas em seu território. Quando tal defesa é iniciada provoca um ato de terror mais devastador ainda sobre a população civil. Robert Fisk descreveu o resultado da carnificina no The Nation: Quando alcancei o complexo, o sangue corria em torrentes pela estrada próxima a mim. Dentro encontrei pilhas de corpos, um bebê sem a cabeça, uma mulher sem os membros, um soldado da ONU segurando, horrorizado uma criança sem cabeça. (63) Em Londres, ele escreveria para o Independent:

Desde Sabra e Shatila que não tinha presenciado uma chacina de inocentes como esta. Mulheres, crianças e homens libaneses refugiados deitados aos pedaços, faltando mãos ou braços ou pernas, decapitados ou estripados. Havia mais de uma centena deles. Um bebê estava deitado sem a cabeça. As granadas israelenses tinham estraçalhado seus corpos e eles estavam em um abrigo da ONU, acreditando que estariam a salvo sob a proteção mundial... A chacina israelense de civis nesta terrível ofensiva do dia 10 - 206 na última noite - foi tão prepotente, tão feroz, que nenhum libanês jamais se esquecerá deste massacre. Houve uma ambulância que foi atacada no sábado, as irmãs mortas em Yohmor, um dia antes, a menina de dois anos decapitada por um míssil israelense quatro dias antes. E na manhã de ontem, os israelenses assassinaram uma família de doze membros - o mais novo com quatro dias de nascido - quando pilotos do helicóptero israelense lançaram mísseis na casa. Um pouco depois, três aviões jogaram bombas a 250 metros de um comboio da ONU no qual eu estava viajando, atingindo uma casa diante dos meus olhos. Na noite passada, de volta a Beirute para mandar meu relato sobre o massacre de Qana para o Independent, encontrei dois barcos israelenses ao norte de Sidon, atirando nos carros de civis (64).

O Conselho de Segurança da ONU, em resposta à reação internacional ao ataque, enviou ao cenário dos ataques o major holandês, Frank van Kappen, juntamente com outros especialistas. Van Kappen contou à ONU que o massacre de Israel tinha sido determinado e resoluto. O exército de Israel tinha sido informado no dia anterior de que o abrigo da ONU estava cheio de refugiados. Criado no início de 1978, o complexo da ONU estava identificado em cada mapa militar israelense. A artilharia israelense também era controlada por um avião sem piloto que passava imagens de TV para os atiradores - estas imagens puderam ser vistas em videoteipes levados ao ar pela CNN. As bombas foram especificamente dirigidas para os abrigos dentro do complexo, o que acarretou o massacre gratuito e deliberado de homens, mulheres e crianças. Na ONU, Estados Unidos e Israel tentaram em vão primeiro negar o relato e, em seguida, subornar. (65) Ao descrever toda a operação de 1996, a HRW contou que ela incluía, bombardeios de aldeias inteiras sem objetivos militares definidos e sem levar em conta as perdas civis; acertar especificamente civis e a infra-estrutura civil, inclusive estações de energia e reservatórios de água; acertar deliberadamente ambulâncias e veículos civis (66).

Fisk condenou o silêncio da comunidade internacional diante do resultado deste massacre brutal, observando que nem a América nem a Europa condenaram um país que havia esmagado os refugiados de Qana com granadas de 155 mm por 12 minutos ...

Na noite passada, no acostamento da estrada de volta para Beirute, havia carros ainda fumegando, civis abatidos intencionalmente por navios israelenses ao norte de Sidon, três dos quais estavam seriamente feridos. Fosse um navio sírio atirando em civis israelenses na estrada Haifa-Tel-Aviv, por certo o sr. Clinton teria lamentado - corretamente - um ato de terrorismo internacional. Mas, nem uma palavra de repúdio ou crítica a respeito deste escandaloso massacre de civis libaneses foi proferida pelos ministros das relações exteriores da América, Rússia, França e Itália. (67)

A violência israelense contra a população civil dos territórios sob sua ocupação é rotineira. Os bombardeios ao Líbano, por exemplo, continuaram regularmente por toda ocupação israelense ilegal do país. Os exemplos são numerosos. Em 25 de junho de 1999, Israel desferiu uma campanha de 10 horas de bombardeios, acertando a infra-estrutura civil libanesa. Oito civis foram mortos e outros 62 ficaram feridos, deixando a maior parte das estradas libanesas e as redes de força em frangalhos. Entre os alvos estavam a estação de força Metn em Bsalim; a principal rede de eletricidade de Beirute; as pontes de Jiyye, Zrarieh e Awali; e o principal grupo de telefonia celular em Jiyye. Tudo foi bombardeado, deixando um rastro de ruínas e destruição. A destruição da rede de eletricidade foi particularmente devastadora, deixando a capital às escuras.

Tais operações ocorrem até durante as conversações de paz. Por exemplo, durante as conversas entre Israel e Síria, entre 1999 e 2000, iniciadas pelo presidente americano Bill Clinton, em dezembro de 1999, a milícia pró Israel, Exército do Sul do Líbano, bombardeou uma escola em Arab Salim - uma aldeia fora da zona ocupada do sul do Líbano. Pelo menos 18 crianças ficaram feridas com os estilhaços e fragmentos do ataque mortal, descrito como um pesadelo por um professor de 45 anos, Mohamad Farhat: Alguns foram levados às pressas para o hospital e um gravemente ferido com perfuração de pulmão. Eu estava próximo ao quadro negro explicando a lição quando ouvi a explosão logo seguida de gritos, disse Farht após o ataque. Olhei atrás de mim e vi algumas crianças mergulhadas em piscinas de sangue. Não me lembro de como levei alguns alunos para fora. É um verdadeiro crime.

De acordo com o relato da BBC, Israel tinha descrito antes o bombardeio como um erro. No entanto, o mesmo relato confirmou mais adiante que o ataque havia sido deliberado: Israel disse que o ataque pelo Exército do Sul do Líbano foi uma resposta a um ataque promovido pelas guerrilhas do Hizbullah na aldeia. Não pode haver qualquer dúvida sobre a atitude por trás da estratégia militar israelense, sem falar na indiferença/cumplicidade da comunidade internacional que dá suporte a tudo isto: Israel deve Ter a permissão para invadir, ocupar e aterrorizar qualquer região que queria sem qualquer forma de protesto da população nativa e qualquer tentativa de expulsar os agressores justifica a imposição pelos invasores sionistas de brutalidades adicionais sobre eles. (68)

IV. Quem é Ariel Sharon?

O atual primeiro ministro do estado sionista de Israel, Ariel Sharon, não pode se queixar de terrorismo. Seu esforço inescrupuloso para subverter a verdade, definindo Israel como uma nação sob terror, como a principal vítima do terrorismo no continuado conflito do Oriente Médio, é talvez melhor exposto pela referência ao próprio envolvimento sistemático de Sharon nos atos grotescos de terrorismo na Palestina.

Em 1953, Ariel Sharon fundou e dirigiu a Unidade 101, uma unidade de comando especial que realizava ataques às aldeias palestinas, matando mulheres e crianças (69). Talvez o mais famoso massacre tenha ocorrido na Cisjordânia, na aldeia de Qibya. Em 14 de outubro de 1953, as forças de Sharon explodiram 45 casas, matando 69 civis palestinos, dos quais cerca da metade era de mulheres e crianças. Até o Departamento de Estado dos Estados Unidos fez uma declaração sobre o massacre quatro dias mais tarde, demonstrando a sua mais profunda simpatia às famílias que tinham perdido a vida no ataque. Mais adiante, no mesmo texto, a declaração afirmava que os autores deviam prestar contas e que medidas efetivas deveriam ser tomadas para impedir a repetição de tais incidentes no futuro. (70)

Em 1956, Sharon tornou-se comandante de uma brigada paramilitar e como tal lutou na campanha do Sinai. Um pouco antes, seu impacto já tinha sido sentido. A seguir, um relato de Ohad Gozani sobre o massacre subseqüente que aconteceu sob o comando de Sharon, digno de ser citado aqui:

Relatos de como os paramilitares israelenses mataram cerca de 270 prisioneiros de guerra  egípcios há 40 anos atrás, estão tensionando as relações entre os dois países. O Egito exigiu uma investigação sobre as alegadas atrocidades, que se reportam ao envolvimento de Israel na campanha anglo-francesa de 1956 para tomar o Canal de Suez. As mortes foram reveladas em um documento sobre a campanha do Sinai, autorizadas pelo exército. Elas foram descritas detalhadamente em entrevistas nos jornais e televisão. De acordo com os relatos, ao todo foram mortos 273 egípcios, alguns deles trabalhadores civis sudaneses, em três incidentes distintos.

Arye Biro, um general aposentado do exército, admitiu que atirou nos sudaneses numa pedreira na estratégica Mitla Pass, no Sinai central. O sr. Biro, então um chefe de companhia do 89° batalhão paramilitar, disse que 49 prisioneiros apavorados foram levados para uma pedreira e mortos a tiros. Ele disse: não podíamos cuidar de nada enquanto não resolvêssemos o caso deles. Um conseguiu escapar com balas no peito e perna mas acabou voltando. Logo se juntou a seus companheiros (mortos). O sr. Biro disse que ele e seus soldados mataram, mais tarde, 56 soldados egípcios e outros porque eles estavam se dirigindo em um caminhão para o porto de Ras-al-Sudr, no golfo de Suez. Segundo ele, seis sobreviveram às rajadas de metralhadoras. Mais tarde eles foram descansar. O sangue escorria em grande quantidade de cada buraco da carroceria do caminhão.

Uma testemunha disse ao jornal: Quando a última cobertura foi baixada, todos os corpos estavam aglomerados. Eu não podia suportar a idéia de que nós atiramos em pessoas sem que elas pudessem reagir. Outros 168 soldados egípcios foram abatidos por paramilitares no sul. Os oficiais comandantes do sr. Biro eram Ariel Sharon e Rafael Eytan (71)

Em 1969, Sharon foi indicado Chefe do Comando Sul das Forças de Defesa Israelenses. Certa vez, um pouco antes, ele tornou sua presença conhecida. O jornalista inglês, Phil Reeves, escreveu que:

Em agosto de 1971, soldados sob comando de Sharon destruíram cerca de 2.000 casas na Faixa de Gaza, expulsaram 12.000 pessoas (palestinos refugiados) pela segunda vez em suas vidas. Centenas de rapazes palestinos foram presos e deportados para a Jordânia e Líbano. Cerca de 600 parentes de supostos guerrilheiros exilaram-se no Sinal. Na segunda metade de 1971, 104 guerrilheiros foram assassinados. (72)

Em 1981, Sharon foi indicado para o posto de Ministro da Defesa de Israel, servindo durante a Guerra do Líbano. Sharon orquestrou a invasão israelense ao Líbano em 1982, que resultou na chacina de milhares de civis. A revista Third World Quarterly (vol. 6, edição 4, outubro de 1984, pp 934-949) publicou números que avaliam que mais de 29.500 palestinos e libaneses foram ou mortos ou ficaram feridos entre 4 de julho e 15 de agosto de 1982. Metade dessas vítimas - 40% - era de crianças. (73) Além disso, Ariel Sharon foi o responsável mais famoso do massacre genocida de civis palestinos e libaneses nos campos de refugiados de Sabra e Shatila, em Beirute, desde a noite do dia 16 de setembro até a manhã do dia 18, em uma área sob o controle do exército israelense. Os massacres foram realizados por membros da milícia falangista cristã libanesa, que foi equipada e armada e era aliada próxima de Israel desde o começo da guerra civil do Líbano em 1975. Ariel Sharon teve reuniões com as forças falangistas antes de os massacres ocorrerem.

Dr. Ben Alofs, um médico holandês trabalhando como enfermeiro em Beirute ocidental no verão de 1982, nos dá o seu testemunho detalhado, com alguns importantes antecedentes que indicam a cumplicidade israelense - e especificamente a de Sharon:

Os jornalistas israelenses Zeey Schiff e Ehud Yaari descrevem como Sharon insistiu em enviar milicianos falangistas aos campos de Sabra e Shatila ... Para conseguir isto, Sharon manteve reuniões em 15 de setembro com Elie Hobeika, Fadie Frem e Zahi Bustani (chefes dos milicianos) e com Amin e Pierre Gemayel, líderes políticos dos falangistas. Os chefes do exército israelense, Sharon inclusive, sabiam muito bem do humor dos falangistas, logo após o assassinato de seu líder. Qualquer um com um mínimo de conhecimento dos sentimentos falangistas em relação aos palestinos sabia o que aconteceria se eles entrassem nos campos de refugiados.

Tell al-Zaater é um nome bem conhecido no Líbano e em Israel. Este acampamento na parte leste de Beirute, onde eu encontrei refugiados palestinos pela primeira vez em 1975, tinha sido cercado durante 53 dias por falangistas e milicianos cristãos maronitas durante o verão de 1976. Após a rendição dos palestinos, a Cruz Vermelha, que deveria dar salvos-condutos à população dos campos, não conseguiu impedir a chacina de mais de 1.000 civis. Os comandantes do exército israelense, Eitan, Drori e Yaron, fizeram comentários sobre como os falangistas estavam obcecados pela vingança, falando em mar de sangue e kasach (palavra árabe para chicotada ou amputação). Assim que eles fizeram essas observações, Ariel Sharon deu sinal verde para que os falangistas entrassem em Sabra e Shatila. E eles fizeram isto ao anoitecer do dia 16 de setembro.

Enquanto o massacre estava sendo praticado, eu estava trabalhando no Hospital Gaza em Sabra. A situação era caótica e confusa. Muitos feridos eram levados para o hospital e, em pouco tempo, nosso necrotério ficou repleto. Muitas das vítimas tinham ferimentos de bala mas algumas tinham ferimentos provocados pelos estilhaços. No dia 17 de setembro ficou claro que o Kataeb (falangistas) e/ou os milicianos de Saad Haddad (financiados e equipados por Israel) estava matando a população civil. Um menino de 10 anos foi levado ao hospital. Ele tinha levado um tiro mas ainda estava vivo. Ele passou toda a noite ferido, deitado sob os cadáveres de seus pais, irmãos e irmãs. À noite, os assassinos eram auxiliados pelos faróis israelenses.

Eu estava trabalhando com uma equipe de médicos e enfermeiros escandinavos, ingleses, americanos, holandeses e alemães. Insistimos em que a equipe palestina do hospital fugisse para a parte norte da Beirute ocidental. No sábado da manhã de 18 de setembro, nós fomos presos pelos milicianos falangistas/Haddad. Eles nos obrigaram a deixar nossos pacientes para trás e nos levaram embora de Sabra e Shatila, pela estrada principal. Nós passamos por centenas de corpos de mulheres, crianças e homens que tinham sido amontoados. Vimos corpos na estrada e nas pequenas vielas. Os milicianos gritavam conosco e nos chamavam de Baader Meinhof. Um enfermeiro palestino, que achávamos estaria a salvo conosco foi identificado e levado para atrás de um muro. Alguns minutos mais tarde vieram os tiros.

Um pouco antes de alcançarmos a saída do campo, vi uma imagem que ficará para sempre em minha memória: um grande monte de terra vermelha com braços e pernas bem visíveis. Ao longo do monte estava uma escavadeira do exército com marcações em hebraico. Quando saímos do campo, nos ordenaram que tirássemos nossos uniformes do hospital e fomos enfileirados contra um muro. Depois do interrogatório em seu quartel general, os falangistas nos levaram para um posto de comando cerca de 75 metros adiante. Eram 4 ou 5 prédios na extremidade de Shatila. (Algumas semanas mais tarde eu estava no último andar, de onde pude ver as cenas da destruição de Shatila). Os soldados israelenses estavam claramente constrangidos, sendo confrontados por mais de 20 europeus e americanos. (74)

As forças falangistas entraram nos campos, matando indiscriminadamente refugiados civis desarmados, enfileirando-os e abatendo-os a tiros. Mulheres e meninas foram estupradas brutalmente. Crianças foram mortas e mutiladas. Os homens eram estripados antes da execução. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) contou 1.500 vítimas ao todo na hora do massacre. Em 23 de setembro, no entanto, este número tinha subido para 2.750.

Não deve haver qualquer dúvida de que os soldados israelenses que estava nas cercanias tinha pleno conhecimento das atrocidades que estavam sendo cometidas lá dentro. O Dr. Witsoe, que estava no Hospital Gaza naquela época, disse ao New York Times que cerca de 5-5:30h da manhã,  aviões israelenses fizeram vôos rasantes sobre Sabra e Shatila, seguidos de bombardeios. (75) Além disso, de acordo com o Newsweek: os israelenses estabeleceram postos de observação nos andares altos dos prédios no quadrante noroeste da Embaixada do Kwait. Destes postos, podia se ter uma clara visão das diversas seções dos campos, inclusive aquelas partes de Shatila onde as pilhas de corpos foram encontradas. (76) O enviado especial americano para o Oriente Médio naquela época, Morris Draper, disse à BBC que os funcionários americanos ficaram horrorizados quando lhes disseram que Sharon tinha permitido que os falangistas entrassem em Beirute ocidental e nos campos porque sabiam que seria um massacre. Pouco depois de a matança começar, ele passou uma mensagem ao ministro da Defesa, Ariel Sharon, pedindo: é preciso que você pare com a matança. A situação está absolutamente terrível. Eles estão matando crianças. Você tem a área inteiramente sob seu controle e portanto você é o responsável. (77) Seu apelo não valeu.

Uma Comissão de Inquérito israelense, presidida por Yitzhak Kahan, presidente da Suprema Corte de Israel, investigou o massacre e concluiu que Ariel Sharon, entre outros israelenses, foi responsável. Em fevereiro de 1983, a Comissão Kahan divulgou seu parecer:

É nossa opinião que a responsabilidade deve ser imputada ao ministro da Defesa por não ter levado em conta o perigo da possibilidade dos atos de vingança e do banho de sangue pelos falangistas contra a população dos campos de refugiados, e por não ter considerado este perigo quando ele decidiu que os falangistas poderiam entrar nos campos. Além disso, também deve ser imputada ao Ministro da Defesa a responsabilidade por não ter ordenado medidas adequadas para impedir ou diminuir o perigo de massacre como uma condição para a entrada dos falangistas nos campos. Esses erros constituem o não cumprimento de um dever do qual o Ministro da Defesa estava encarregado (em sua reunião com os comandantes falangistas, o Ministro da Defesa não fez qualquer tentativa para mostrar-lhes a gravidade do perigo de que seus homens cometessem atos de matança ...) Se estava claro ao ministro da Defesa que nenhuma supervisão verdadeira poderia ser exercida sobre os falangistas que entraram nos campos com o consentimento das Forças de Defesa Israelenses, sua obrigação teria sido a de impedir a entrada deles. Os benefícios da entrada dos falangistas nos campos eram inteiramente desproporcionais aos prejuízos que a entrada deles poderia provocar se não pudessem ser controlados. Observaremos aqui que é incrivelmente enigmático que o Ministro da Defesa de forma alguma tenha dado conhecimento ao primeiro ministro (Menachem Begin) da decisão de permitir a entrada dos falangistas nos campos (78).

O ex-Procurador Chefe do Tribunal Internacional de Crimes de Guerra na Iugoslávia e Ruanda, juiz Richard Goldstone, achava que Ariel Sharon deveria ser julgado por crime de guerra pelo massacre de civis palestinos em 1982 no Líbano. Falando em um entrevista no programa Panorama da BBC, o juiz Goldstone observou que: se a pessoa que deu a ordem sabe, ou deveria saber ... que existe uma situação onde inocentes serão feridos ou mortos, então esta pessoa é tão responsável, em meu livro é até mais responsável, do que a pessoa que cumpre a ordem. O jornal Independent de Londres, mais tarde relatou que:

O sr. Sharon era ministro da Defesa quando Israel invadiu o Líbano em 1982, e as forças israelenses permitiram que as milícias cristãs libanesas entrassem nos campos de refugiados de Sabra e Shatila e massacrassem mais de 2.000 pessoas. Um inquérito israelense considerou o sr. Sharon responsável. O juiz Goldstone disse que era lamentável que nenhuma acusação criminal tivesse sido efetivada. (79)

Na verdade, tanto a HRW como a Anistia Internacional repercutiram uma exigência para que Sharon fosse julgado por crimes de guerra. Esta é uma responsabilidade da comunidade internacional à luz do direito internacional. O artigo 146 da Convenção de Genebra, relativo à Proteção de Civis em Tempo de Guerra, estabelece que as partes comprometidas são obrigadas a procurar por pessoas que comprovadamente cometeram, ou ordenaram que fossem cometidas graves violações da Convenção, e trazerem tais pessoas diante de tribunais de justiça, independentemente de suas nacionalidades. O artigo 147 da Convenção esclarece que as graves violações referidas no artigo 146 incluem morte premeditada, tortura ou tratamento desumano, com experiências biológicas causando intencionalmente grande sofrimento e sérios prejuízos ao corpo ou à saúde, deportação ilegal ou transferência ou confinamento ilícitos de uma pessoa sob proteção, coação de uma pessoa protegida para servir no exército de um poder hostil, ou privação premeditada de uma pessoa protegida do direito a um julgamento justo prescrito na presente Convenção, tomar reféns e promover destruição e apropriação de bens que não se justificam por necessidades militares e efetuadas de forma ilícita e arbitrária.

Conclusão

Israel, desde de seu começo, tem sido uma entidade colonial terrorista que tem por objetivo marginalizar e exilar a população nativa, por intermédio do terror, da intimidação, da repressão e matança. O genocídio e sua justificativa parece que são construídos em estados militares e instituições ideológicas. O terrorismo é um aspecto integrante da política militar dos estados, projetado para assegurar seus objetivos estratégicos e ideológicos de expansão territorial ilimitada à custa das populações nativas. Cabe notar que a intensificação da resistência nativa sob a forma de atividades insurrecionais de grupos como o Hizbullah e o Hamas ocorrem como uma conseqüência direta do brutal terrorismo israelense praticado contra civis palestinos e libaneses. Evidentemente que a morte de civis não pode ser perdoada e precisa ser condenada por qualquer ser humano decente. Contudo, nem o Hizbullah ou o Hamas iniciaram esta política de matança de civis, mas se assim agiram foi em resposta à antiga e permanente política de terrorismo. Tal política por parte dos grupos de resistência deve ser condenada e corretamente definida como atos de terrorismo, mas também deve ser compreendida no contexto de um sistema repressivo muito mais brutal de genocídio e terror implementados pelo regime sionista contra a população nativa. É um fato inquestionável que violência somente gera mais violência.

Dado o registro histórico, não surpreende que o atual primeiro ministro israelense, Ariel Sharon, seja um criminoso de guerra de primeiro time, alinhado com outros criminosos de guerra como Slobodan Milosevic e Saddam Hussein, cujos graves atos de genocídio e terror praticados, segundo vários comentaristas, são equiparados a Hitler. Portando, é razoável concluir que se Milosevic e Saddam foram os Hitler do século XX, Sharon é o Hitler do novo milênio.

A terrível ironia da situação é acentuada pela alegação de Israel de que é a principal vítima do terrorismo neste conflito. O fato em questão é que o agressor primeiro é o regime sionista, responsável em toda sua história pela fabricação sistemática de guerras de terrorismo contra a população palestina nativa. A menos que a ocupação israelense ilegal, combinada com um crescente e brutal sistema de apartheid (para uma discussão mais abrangente e maiores detalhes, ver nosso relato, Apartheid in the Holy Land: Racism in the Zionist State of Israel, disponível em http://mediamonitors.net/mosaddeq11.html seja desmantelada, o conflito não terminará. O que é preciso na região é boa vontade para se retornar aos valores éticos básicos que formam não só a essência de uma comunidade pacífica e justa, mas também relações humanas mais decentes. Mas isto só acontecerá na esteira do reconhecimento e na remoção da principal causa do conflito - o estado israelense de apartheid, a ocupação ilegal, a repressão sócio-econômica e o terrorismo sistemático na Palestina. E isto significa o desmantelamento das estruturas que contribuíram para isto, não só em relação ao atual regime israelense mas também à repressiva Autoridade Palestina, e o estabelecimento de um sistema de justiça para todos.

Notas

[1]Reuters, Sharon promete derrotar a Guerra de Terrorismo, 3 de dezembro de 2001
[2] Hedges, Chris, Gaza Diary: Cenas de Um Levante Palestino, Harpers Magazine, outubro de 2001
[3] Weitz, Yossef, Journal, (Tel Aviv), 1965.
[4] Morris, Benny, O Nascimento da Questão do Refugiado Palestino 1947-1949, Cambridge University Press, Cambridge, 1987.
[5] Ibid.
[6] Citado em Chomsky, Noam, The Fateful Triangle: The United States, Israel and the Palestinians, Pluto Press, Londres, 1999.
[7] New York Times, 6 de dezembro de 1953.
[8] Begin, Menachim, The Revolt: Story of the Irgun, p. 335.
[9] Modelet, no.12, outubro de 1989.
[10] Pappe, Ilan, The Making of the Arab-Israeli Conflict 1947-1951, I. B.Tauris, Londres, 1992; Loos, Baudouin, Interview of Ilan Pappe, Le Soir (Brussels) 29 de novembro de 1999.
[11] Citado em Erlich, Guy, Not Only Deir Yassin, Hair, 6 de maio de 1992.
[12] Testemunho de soldados citados em Morris, Benny, O Nascimento da Questão do Refugiado Palestino 1947-1949, op. cit., p 222.
[13] Morris, Benny, Israels Border Wars 1949-1956 (versão hebraica), Tel Aviv, 1996, p. 156; ibid., p. 113-114.
[14] Ver ibid.
[15] Ha'aretz, 29 de março de 1972.
[16] Ma'ariv, 4 de abril de 1972.
[17] Haber, Eitan, Menahem Begin: The Legend and the Man, Delacorte Press,New York, 1978, p. 271.
[18] Al-Hamishmar, 14 de abril de 1971.
[19] Lilienthal, Alfred, The Zionist Connection, Dodd, Mead & Co. New York, 1978, p. 558-9.
[20] New York Times, 21 de agosto de 1982.
[21] New York Times, 11 de maio de 1997.
[22] Rosenfeld, Stephen S, Israel and Syria: Correcting the Record, Washington Post, 24 de dezembro de 1999.
[23] Citado em Richman, Sheldon L., The Golan Heights: A History of Israeli Aggression, Washington Report On Middle East Affairs, novembro de 1991, p. 23.

[24] Hirst, David, The Gun and the Olive Branch: The Roots of Violence in the Middle East, Harcout Brace Jovanovich, 1977.

[25] Citado em ibid.

[26] Richman, Sheldon L., The Golan Heights: A History of Israeli Aggression, op. cit.

[27] New York Times, 11 de maio de 1997; Reinhart, Tanya, Dayan Admits Israel Attacked Syria in Land Grab, Yediot Aharanot, 6 de maio de1997.

[28] Citado em Hirst, The Gun and the Olive Branch, op. cit.

[29] Washington Post, 24 de dezembro de 1999.

[30] Lilienthal, Alfred, The Zionist Connection II, op. cit., p. 160.

[31] New Yorkers for a Just Middle East Peace (NYJMEP) de uma carta datada de 13 de agosto de 1988, enviada a Perry Odak, chefe executivo de Bem and Jerrys, protestando sobre um suposto acordo entre a companhia de sorvete americana e a companhia de água Eder Springs, baseado nas Colinas do Golan, ocupadas por Israel.

[32] Citado em Neff, Donald, Warriors trilogy on U.S. Middle East Handbook, American Educational Trust Books.

[33] Morris, Benny, A Personal Assessment of the Zionist Experience, Tikkun, março-abril de 1998.

[34] Rockack, Livia, Israels Sacred Terrorism, Arab-American University Graduate Press, Belmont, Massachusetts, 1986.

[35] Para as referências ver Chomsky, Limited War in Lebanon, Z Magazine, setembro de 1993

[36] Ibid.

[37] Independence Day supplement to Al Hamishar, 10 de maio de 1978.

[38] Haaretz, 15 May 1978.

[39] United Press International (UPI), 1 de junho de 1994.

[40] Merali, Arzu, Operation Grapes of Wrath: Revisiting Genocide, Islamic Human Rights Commission, Londres, julho de 1996, http://www.ihrc.org .

[41] Miller, Edward W., Lebanon, Israels Killing Fields, Coastal Post, maio de 1996.

[42] Chomsky, Limited War in Lebanon, Z Magazine, setembro de 1993.

[43] Miller, Edward W., Lebanon, Israels Killing Fields, Coastal Post, maio de 1996.

[44] Shalom, Stephen R., Green Lights and Red Herrings, ZNet Daily Commentary, 11 de fevereiro de 2000, http://www.zmag.org .

[45] Chomsky, Noam, Limited War in Lebanon, op. cit.

[46] Ibid.; Shalom, Stephen R., Green Lights and Red Herrings, op. cit.; Merali, Arzu, Operation Grapes of Wrath: Revisiting Genocide, op. cit.

[47] Miller, Edward W., Lebanon, Israels Killing Fields, Coastal Post, maio de 1996.

[48] Shalom, Stephen R., Green Lights and Red Herrings, op. cit.

[49] Miller, Edward W., Lebanon, Israels Killing Fields, op. cit.

[50] Merali, Arzu, Operation Grapes of Wrath: Revisiting Genocide, op. cit. Para maiores detalhes sobre o Hizbullah ver Hamzeh, A. Nizah, Lebanons Hizbullah: from Islamic revolution to parliamentary accommodation, Third World Quarterly,Vol. 14, No. 2, 1993.

[51] New York Times, 19 de abril de 1996.

[52] De acordo com uma condição estabelecida na Resolução sobre Terrorismo da Assembléia Geral da ONU, que foi aprovada por 153 a 2, nada na presente resolução poderia prejudicar de qualquer forma o direito à autodeterminação, liberdade e independência, porque oriundo da Carta das Nações, de pessoas privadas pela força desses direitos ... principalmente daquelas que vivem sob regimes racistas e coloniais e de ocupação estrangeira ou outras formas de dominação colonial, nem ... o direito dessas pessoas de lutarem para alcançar este fim e de buscarem e receberem apoio (de acordo com a Carta e outros princípios do direito internacional) ONU, 42/159, de 7 de dezembro de 1987). De se notar que os dois países que se posicionaram contra a resolução da ONU foram Israel e Estados Unidos, um fato que certamente ilustra até que ponto os parceiros respeitam a autodeterminação, a liberdade e a independência. Na verdade, a objeção desses dois países à resolução revela o apoio à ocupação estrangeira e a outras formas de dominação colonial - principalmente pelos regimes racistas e coloniais - quando atendem aos interesses americanos.

[53] Shalom, Stephen R., Green Lights and Red Herrings, op. cit.; New York Times, 14 de abril de 1993.

[54] HRW report, Civilian Pawns: Laws of War Violations and the Use of Weapons on the Israel-Lebanon Border, Human Rights Watch, New York, maio 1996.

[55] Chomsky, Noam, Limited War in Lebanon, op. cit.

[56] Ibid.

[57] Ibid.

[58] Hedges, Chris, A Gaza Diary: Scenes from the Palestinian Uprising, Harpers Magazine, outubro 2001.

[59] Miller, Edward W., Lebanon, Israels Killing Fields, Coastal Post, maio de 1996.

[60] Fisk, Robert, Occupied Lebanon, The Nation, 1996.

[61] Fisk, Robert, Independent, 1 junho de 1996.

[62]The Israeli Massacre of Civilians at Qana, The Arab Journal, 18 de abril de 1997. O Alto Comissariado de Assistência registrou um total de 175 libaneses mortos, 300 feridos e 250.000 transformaram-se em refugiados (relatório de 27 de abril de 1996.Ver também ONU, Damage to the Lebanese Infrastructure During the Israeli Operation Grapes of Wrath, abril de 1996).

[63] Citado in Miller, Edward W., Love Thy Neighbor, The Coastal Post, junho de 1996.

[64] Fisk, Robert, Massacre in Sanctuaries; Eyewitness, Independent, 19 de abrill 1996.

[65] Miller, Edward W., Love Thy Neighbor, The Coastal Post, junho de 1996.

[66] Human Rights Watch, maio de 1996. Ver também AI report, Israel/Lebanon: Unlawful Killings During Operation Grapes of Wrath, Amnesty International, Londres, 1996.

[67] Fisk, Robert, Reality bites for PR men at Qana, Independent, 22 de abril de 1996.

[68] BBC News, Lebanon condemns school shelling, 16 de dezembro de 1999. Ver também Lebanese PM Says Israel Adopts Nazi Thinking, Reuters, 9 de fevereiro de 2000; Redden, Jack, Israel Strikes at South Lebanon Again, Reuters, 9 de fevereiro de 2000. Israeli began terror-bombing South Lebanon on 7 de fevereiro. Ver também Margolis, Eric, Back to Square One in the Middle East, Toronto Sun, 28 de maio de 2000.

[69] Official biography of Ariel Sharon, Israeli Ministry of Foreign Affairs, http://www.israel-mfa.gov.il .[70] Boletim do Departamento de Estado Americano 26 de outubro de 1953, p. 552.

[71] Gozani, Ohad, Israelis Admit Massacre, Daily Telegraph, 16 de agosto de 1995.

[72] Reeves, Phil, Sharons return puts Wreckage Street in fear, The

Independent, 21de janeiro de 2001.

[73] Third World Quarterly, October 1984, Vol. 6, No. 4, p. 934-949.

[74] Alofs, Ben, Why Sharon is a War Criminal: An eye-witness report of the 1982 Shabra and Shatila massacre, Media Monitors Network, 6 de junho de 2001,

http://www.mediamonitors.net/drbenalofs1.html

[75] New York Times, 16 de setembro de 1982.

[76] Newsweek, 4 de outubro 1982; The Guardian, 20 de setembro de 1982; New York

Times, 26 de setembro de 1982.

[77] Citado in HRW Press Release, Israel: Sharon Investigation Urged, Human

Rights Watch, New York, 23 de junho de 2001.

[78] O relatório da Comissão Kahan pode ser encontrado em

http://www.israel.org/mfa/go.asp?MFAH0ign0 .

[79] Butler, Katherine, Try Sharon, Says War Crimes Judge, The Independent, 18 de junho de 2001.

O autor, Nafeez Ahmed, é um analista político e ativista dos direitos humanos, residente em Londres. Ele é diretor do Institute for Policy Research & Development e um pesquisador na Islamic Human Rights Commission.

http://www.mediamonitors.net/mosaddeq24.html

Tradução Mônica Muniz



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