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ATUALIDADES

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A RESOLUÇÃO  DA ONU

 

Robert Fisk

Volta a ser a famosa "visão". Quando o presidente Bush quis o apoio árabe para seu bombardeio ao Afeganistão, anunciou imediatamente que tinha a "visão" de um estado palestino, que logo desapareceu de sua tela de radar. Agora volta mais uma vez, sob a forma de uma deslavada resolução da ONU, esboçada pelos Estados Unidos, que sustenta "uma visão na qual os dois estados, Israel e Palestina, vivam um ao lado do outro ..." Será que Bush tem em mente uma outra guerra na região e que talvez o vice-presidente Dick Cheney, atualmente em périplo pelo mundo árabe e Israel, esteja buscando o apoio árabe para atacar o Iraque?

Claro que as resoluções da ONU não desaparecem tão rápido quanto as "visões" presidenciais, e agora o mundo tem uma idéia - apenas uma idéia - encravada em um documento sério da organização mundial.

De fato, talvez seja a primeira vez que a ONU tem uma "visão" acerca de alguma coisa. No entanto, não se refere ao tema de muito maior importância, a resolução 242 do Conselho de Segurança, de 1967, a qual supostamente deu suporte aos acordos de Oslo: exigir a retirada dos israelenses dos territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias.

A resolução desta quarta-feira não faz referência á ocupação da parte ocidental e de Gaza (nem das Colinas do Golan, que pertencem à Síria) e, portanto, apresenta ao mundo uma imagem nivelada e equilibrada - ou visão - dos dois lados em conflito.

Quando exige o imediato "cessar de todo ato de violência, inclusive todo ato de terror, provocação, incitação e destruição" não fica claro se o Conselho de Segurança da ONU acredita que Israel ocupa território palestino ou se a Autoridade Nacional Palestina ocupa território israelense. Por causa disto, foi retirada a proposta original síria, que se referia expressamente a Israel como a "potência ocupante" e pedia que Tel-Aviv respeitasse a Convenção de Genebra, que protege os indivíduos submetidos à ocupação. A Síria absteve-se de votar. No entanto, o embaixador de Israel achou a resolução "equilibrada".

A única ligação verbal entre a nova resolução e a fundamental 242, que data de 35 anos e faz referência explícita à ocupação, é a vaga exortação aos estados para que vivam "dentro de fronteiras seguras e reconhecíveis." Não há menção aos assentamentos exclusivos para judeus em terras árabes e nem a Jerusalém oriental como a capital palestina e nem ao direito dos refugiados de retornarem à sua pátria. Da mesma forma que os acordos de Oslo, esta última resolução deixa os temas fundamentais fora da "visão", como algo que, presumivelmente, seria resolvido mais tarde.

Ao secretário geral, Kofi Annam, coube a tarefa de expressar repulsa pelo nível atual de violência, fazer referência específica à "ocupação ilegal" israelense e aos homens bomba palestinos "moralmente repugnantes". É melhor do que nada, mas as palavras de Annan não estão escritas em nenhuma resolução.

O Conselho de Segurança, agora que os Estados Unidos enfraqueceram seu recente documento, não emitiu qualquer juízo de valor, embora a ilegalidade da ocupação israelense se fundamente em parte na resolução 242, do próprio mecanismo, que exige a retirada de Tel-Aviv. Como sempre, os árabes, ansiosos de não se isolarem dos americanos, tiveram que aplaudir a "visão", como se em verdade ela contivesse o germe da tão ansiada soberania palestina.

Yasser Abed Raboo, o chamado "ministro da informação" palestino, sustentou que representava uma "derrota" para o primeiro-ministro Ariel Sharon - o que é uma bobagem porque os Estados Unidos não teriam proposto o texto sem a aprovação de Israel - e pediu a "intervenção internacional direta para aplicar esta resolução, pondo fim à ocupação de Tel-Aviv e evacuando todos os assentamentos deste país" em terras palestinas. Mas, no texto da ONU não há menção alguma sobre intervenção internacional ou assentamentos.

Trata-se, em suma, de uma bela "visão" para vinculá-la à própria versão deslavada da resolução 242, do príncipe saudita Abdullah. Veremos o quanto o vice-presidente Cheney obterá de aprovação para uma nova guerra no Oriente Médio.

The Independent

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