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ATUALIDADES

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A VITÓRIA DE PIRRO DE SHARON


Por Jaffer Ali

Pirro foi um rei grego. No ano de 281 a.C, ele invadiu a Itália com 25.000 homens e 20 elefantes. Ele tinha o mais poderoso exército do mundo daquele tempo. Mas as vitórias contra Roma lhe saíram tão caras que ele teve que se retirar completamente da Itália. Sua conhecida observação "uma outra vitória como esta e estarei arruinado" passou para história como a "vitória de Pirro", com o sentido de uma vitória obtida a um grande custo.

Vale a pena analisar se Ariel Sharon é um Pirro moderno. Em 2002, Ariel Sharon invadiu a Cisjordânia e Gaza com 21.000 soldados e 20 helicópteros Apache. Atualmente ele tem o exército mais poderoso da região. Sua invasão aos campos de refugiados e aldeias da Cisjordânia e Gaza por certo que lhe darão a sua "vitória de Pirro".

Por que?

Não há dúvida de que a ocupação israelense dos territórios palestinos tornou-se cara em cada frente. A Intifada e a resistência armada está devastando Israel de todas as formas. Além disso, a perda de vidas, o único problema existencial de Israel, demografia, é o custo indizível para o estado. Devido às diferentes taxas de natalidade entre as populações étnicas, todos os estudos demográficos estimam que a população palestina superará a população judaica no ano de 2020. Além dessas taxas desproporcionais, Israel, que se define como um "estado judeu", é um país encolhido. A fim de manter sua maioria demográfica, Israel precisa confiar na imigração de judeus do mundo todo.

Surpreende que haja tão poucos caminhantes na estrada para o Paraíso sionista? Para aumentar seu dilema existencial, o país está começando a "dissionizar". Os sionistas estão PARTINDO aos borbotões, voltando para o porto seguro do Brooklyn, de Miami ou de qualquer outro lugar de onde emigraram. Só no ano passado, mais de 3% da população judaica fugiu de Israel.

No campo econômico, o "milagre do deserto" está perto da bancarrota. Suas vendas militares declinaram. Sua indústria de turismo foi erradicada. Sua moeda perdeu mais de 11% de seu valor em um ano. Sua indústria tecnológica foi devastada pela depressão tecnológica mundial. Seu mercado financeiro continua a escorregar em terreno negativo. A recente invasão militar está custando a Israel mais de 1% de seu PIB. A taxa de desemprego é de quase 11%, a mais elevada em seus 54 anos de história. E seu principal mercado exportador, os territórios ocupados, fechou. A economia de Israel transformou-se em uma economia agrária terceiro mundista, com a Europa ameaçando proibir todo comércio econômico com o país.

Portanto, que espécie de vitória Sharon e companhia podem reivindicar, quando a viabilidade econômica está ameaçada? E até militarmente, pode Israel se sentir segura enquanto devasta os centros de população civil? A quantidade de crimes de guerra é a ORIGEM dos homens bomba. Eles surgiram do desespero, injustiça e de um sentimento de que não existe outra forma de resistência.

Ah!, sim, e o que aconteceu a Pirro? Ele voltou para a Grécia, invadiu a Macedônia e promoveu um ataque fracassado a Esparta, onde morreu.

Publicado no http://www.iap.org , em 11/04/02

O autor pode ser contatado no e-mail Jaffer@pennmedia.com

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