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ATUALIDADES

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TEMPO DE FALAR SÉRIO

Por Khalid Amayreh

Desde o início do levante de al-Aqsa, há quase um ano atrás, o exército de ocupação israelense e terroristas paramilitares judeus já mataram perto de 700 palestinos, um terço deles menores e crianças. O terror judeu também deixou algo em torno de 25.000 palestinos seriamente feridos e mutilados, com milhares deles sofrendo de deficiências físicas que permanecerão  pelo resto de usas vidas.

Além disso, o exército israelense destruiu completamente centenas de imóveis residenciais, assim como prédios públicos em Gaza e na Cisjordânia. E, por último, mas não de menor importância, os vândalos de nosso tempo destruíram dezenas de milhares de acres de fazendas palestinas e plantações de oliveiras e árvores frutíferas, transformando a antiga paisagem verde da Palestina em um deserto.

Enquanto isto, os sionistas criminosos, numa combinação violenta da virulenta ideologia racista com a poderosa máquina militar, continuam a reduzir os horizontes palestinos, tornando intolerável a vida diária de todos eles. Na verdade, os 11 meses de cerco às cidades, vilas, lugarejos e campos de refugiados palestinos, servem como um testemunho horripilante da selvageria e brutalidade de Israel.

Diante deste mal esmagador, o mundo fez muito pouco além das declarações costumeiras e rotineiras, convocando os "dois lados" a exercerem a moderação, ignorando, assim, escandalosamente, o fosso moral entre o agressor e a vítima da agressão, o ocupante e a vítima da ocupação, o estuprador e a vítima do estupro.

Os Estados Unidos, o verdadeiro império do mal do mundo de hoje, continuaram, numa insolência característica, a apoiar ativamente a belicosidade israelense e a arrogância do poder de acusar as vítimas, os palestinos torturados, por resistirem aos seus torturadores.

De fato, uma análise simples da postura americana em relação ao sofrimento atual da Palestina, sugere que a administração de George W. Bush, na verdade, não tem uma política exceto, talvez, a de dizer tanto ao estuprador como à vitima do estupro "resolvam o problema".

E a Europa não é melhor, porque os enviados europeus continuaram indo e vindo, reiterando as mesmas atitudes harmoniosas sobre a necessidade de terminar com a violência e voltar à mesa de negociação. É uma língua que Ariel Sharon, um criminoso de guerra confirmado, despreza, principalmente com George W. Bush a apoiá-lo.

Quanto à liderança palestina, seu comportamento em relação à promoção israelense de mortes, violência e terror contra o povo cativo e cercado, dizimado por 33 anos de ocupação militar sinistra, é um grande fiasco.

Na verdade, desde o primeiro dia da atual campanha sionista, a Autoridade Palestina vem efetivamente repetindo as mesmas exigências aborrecidas de proteção internacional e convocação de árabes, muçulmanos, cristãos e dos povos amantes da paz em todo o mundo, para pressionarem e obrigarem Israel a parar com seu ataque brutal. De pouca utilidade.

Mesmo os apelos desesperados e inflexíveis às   massas muçulmana e árabe para prestarem a solidariedade à luta dos irmãos palestinos caíram no vazio.

Cinquenta anos de repressão no mundo árabe, aparentemente   entorpeceram  e mataram todo sentimento humano   de patriotismo nos estados árabes, onde cidadãos vencidos e aterrorizados percebem que qualquer demonstração anti-americana ou anti-Israel seria esmagada implacavelmente pelas forças de segurança do regime, como foi no caso da Jordânia, recentemente.

Portanto, o que o povo palestino e outras forças vivas do mundo árabe-muçulmano devem fazer para vencer ou, pelo menos, neutralizar, esta tristeza terrível?

Primeiro de tudo, a Intifada deve continuar, apesar dos sacrifícios, apesar do preço doloroso, uma vez que é nossa única e última resposta à política de subjugação de Israel. Sharon e os outros, desnecessário dizer, nos oferecem duas opções, ou morrer como cordeirinhos ou como mártires em operações de martírio contra os opressores. E não permitiremos que sejamos mortos como carneirinhos.

Portanto, em nome de nossas crianças, e a fim de não permitir que Sharon e outros criminosos sionistas gozem dos resultados de sua campanha, não temos outra escolha senão enfrentar a morte com a morte. Infelizmente, esta é a única linguagem que os nazistas judeus compreendem. Se seu povo for morto, nenhum palestino, homem, mulher, criança ou líder estará livre de seus esquadrões da morte e do terror de estado.

Com a insolência israelense estreitando nossos horizontes e com a impotência árabe e a indiferença internacional deixando-nos expostos à brutalidade sionista, não é segredo para ninguém que nos tornamos um povo com tão pouca liberdade e tão pouca esperança que as operações de martírio parecem ser nossa única esperança de um futuro melhor.

E existe um papel crucial a ser desempenhado pelas forças islâmicas e árabes, cada uma em seu país e região.

O mundo muçulmano deve envidar esforços verdadeiros para forçar os Estados Unidos a reconsiderarem seu apoio arbitrário e insolente à obscena ocupação de nossas terras por Israel. A América, afinal de contas, é nosso torturador. Sim, isto colocaria em rota de colisão com os regimes, as vozes que clamam por liberdade. Que assim seja.

Porque, na análise final, a deslealdade dos regimes só será tão profunda e duradoura quanto a covardia das massas (seus líderes serão como vocês são, disse o Profeta Mohammad). E não pode haver situação pior na ummah árabe-muçulmana do que esta subserviência vergonhosa aos fantoches e escravos da América.

Em resumo, devemos quebrar o círculo vicioso onde Israel manipula os Estados Unidos, os Estados Unidos controlam os regimes e os regimes, por sua vez, escravizam as massas e lhes roubam os direitos humanos fundamentais e as liberdades civis, o que, em outras palavras, significa dizer que estamos sendo escravizados pelos judeus, embora indiretamente.

A resposta à questão de como romper este círculo vicioso é simples, é continuar a luta para libertar a Palestina a qualquer custo. Na América, quando ainda havia uma aparência de moralidade política, costumava-se dizer "dê-me a liberdade ou a morte". Em nossa situação palestina (e árabe) mais urgente, é o martírio ou a luta até a vitória.

30/08/01

http://www.iap.org

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