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ATUALIDADES

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POVO SEM TERRA, A LUTA DO POVO CURDO PELA SOBREVIVÊNCIA


Steven Manning

Nas primeiras horas da manhã do dia 3 de setembro, os marinheiros a bordo do U.S.S. Shiloh olhavam solenemente para os mísseis "tomahawk" cortando o céu a caminho do Iraque e indo cair ruidosamente no sul do país. O presidente Clinton tinha ordenado o ataque como uma advertência ao ditador iraquiano, Saddam Hussein. O que teria provocado o ataque americano? No dia 31 de agosto, Hussein tinha enviado 40.000 soldados para invadir o Curdistão, uma região ao norte do Iraque. Esta região - e os curdos que vivem ali - está sob a proteção dos Estados Unidos e de seus aliados desde que a Guerra do Golfo terminou, em 1991.

Os Estados Unidos tinha advertido o Iraque contra tal invasão. Mas Hussein enviou as tropas assim mesmo, dizendo que tinha sido convidado pelo líder do Partido Democrático do Curdistão, um dos dois grupos curdos que lutam entre si. O ataque norte-americano chamou a atenção do mundo para a condição dos curdos, uma das maiores minorias étnicas sem pátria. Mais de 20 milhões de curdos vivem nas montanhas do Iraque, na Turquia, Síria, Irã, Azerbaijão e Armênia.

CULTURA ÚNICA

Os curdos, que são muçulmanos, têm sua própria língua e cultura. Em 1920, depois da I Guerra Mundial, um tratado internacional exigiu a criação de um estado curdo independente. Embora  sempre tenham defendido a criação desse estado, os curdos permanecem submetidos a um governo estrangeiro. Em todos os países onde vivem, os curdos vêm enfrentando problemas que vão desde a discriminação até tentativas de genocídio. Os curdos muitas vezes desempenharam o papel de peões políticos nos violentos jogos de xadrez das nações que os hospedam, o que só faz reforçar um antigo ditado curdo que diz que "além das montanhas, os curdos não têm amigos."

Até os Estados Unidos, apesar do ataque de setembro, não têm sido um amigo confiável. No início dos anos 70, por exemplo, eles recrutaram os curdos para um esquema velado para tentar tirar Saddam Hussein, com a ajuda do vizinho Irã. Em troca, os Estados Unidos prometeram a independência curda. Mas, quando mais tarde  Iraque e Irã assinaram um acordo de paz, o Iraque esmagou os curdos e os Estados Unidos fingiram que não viram.

A AJUDA PROMETIDA

Quando em 1991 o Iraque foi derrotado na Guerra do Golfo pelos Estados Unidos e seus aliados, o presidente George Bush prometeu ajuda americana no caso de os curdos do norte do Iraque se rebelarem contra Saddam Hussein. Quando eles iniciaram a revolta, Hussein reagiu e os Estados Unidos não intervieram. Mais de 1,5 milhão de curdos fugiram para a Turquia e Irã,   sentindo-se traídos mais uma vez. No meio dessa crise, os Estados Unidos declararam que os curdos que permanecessem no norte do Iraque teriam a sua proteção e advertiram Hussein para que se mantivesse afastado da região.

Mas, com o sonho da independência esmagado, grupos políticos curdos, antes unidos, começaram a lutar entre si, até que os Estados Unidos avalizaram um cessar fogo em 1993, A divisão determinou que grupos rivais buscassem ajuda externa. Um grupo, a União Patriótica do Curdistão, voltou-se para o Irã. Em resposta, o outro grupo, (PDC) pediu a seu antigo arqui-inimigo, o Iraque, para juntar forças e desalojar os rivais curdos do norte do Iraque.

Embora os ataques americanos tenham levado Saddam Hussein a retirar suas tropas do norte do Curdistão, os partidários do PDC permanecem firmes no controle da região. E os Estados Unidos tornaram claro que não deflagarão uma guerra para salvar os curdos. Como disse um oficial curdo anti-iraquiano recentemente a um repórter americano "os americanos só estão interessados em ficar lá, sem luta. Eles não querem 'nem a guerra nem a paz' - e sim manter-nos no limbo, como sempre estivemos."


O mapa mostra a área chamada Curdistão e os países ao redor. Sua população se distribui principalmente pelo Iraque, Irã, Síria e Turquia, sendo que o maior contingente está localizado na Turquia.

 

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