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ATUALIDADES

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TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO (*)

Os violentos choques entre forças israelenses e palestinos no centro da Cidade Velha de Jerusalém e em outras partes dos territórios palestinos são desanimadores.

Justamente quando o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Iasser Arafat, precisam fazer um novo esforço para concluir um abrangente acordo de paz, prevalecem tensões renovadas.

Ariel Sharon, líder do Likud (maior partido da oposição israelense),não fez favor algum a seu país ao liderar de forma provocadora seus seguidores em visita ao Templo do Monte na quinta-feira, repetindo reivindicações judaicas sobre o local sagrado para muçulmanos e judeus em um momento em que a soberania sobre a área é o tema mais polêmico das negociações de paz entre Israel e palestinos.

A visita de Sharon causou uma série de confrontações pouco antes e durante os festejos do Ano Novo judaico, iniciados na sexta-feira.

O calendário político israelense não permite mais adiamentos nas negociações de paz com os palestinos. Em 29 de outubro próximo, o Parlamento israelense volta de seu recesso, colocando nova pressão sobre o governo de minoria do trabalhista Barak por novas eleições gerais ou pela formalização de uma coalizão mais voltada para a direita e mais conservadora em relação ao processe de paz com os árabes.

Os negociadores israelenses, palestinos e americanos, devem tentar usar as próximas semanas para resolver os relativamente poucos - mas muito polêmicos - assuntos que ainda impedem um acordo de paz definitivo.

As negociações no encontro de cúpula em Camp David (EUA), em julho passado, apontaram progressos em assuntos antes intratáveis. Mas foram interrompidos por questões sobre a autoridade política em Jerusalém, especialmente sobre os principais locais considerados sagrados na Cidade Velha.

O Templo do Monte (chamado de Nobre Santuário pelos muçulmanos) abriga dois dos locais mais sagrados do islamismo, as mesquitas de Al Aqsa e o Domo da Rocha. Em um dos lados do monte está o Muro das Lamentações, resquício do Segundo Templo (destruído pelos romanos em 70 d.C.) e o local mais sagrado do judaísmo.

Encontrar uma fórmula para uma soberania internacional sobre o Monte do Templo é fundamental para um acordo final entre as partes.

Em Camp David, pela primeira vez, um premiê israelense (Barak) indicou que Israel poderia aceitar conceder alguma soberanis sobre Jerusalém em troca de uma paz abrangente.

Ele está disposto a permitir que algumas áreas da cidade povoadas por árabes (setor oriental) sejam transferidas ao controle palestino. Em relação à Cidade Velha e seus locais religiosos, Israel rejeita a soberania palestina, mas está aberto a considerar fórmulas mais flexíveis.

Uma idéia que está sendo cogitada atualmente é a de dar ao Conselho de Segurança da ONU soberania sobre o Monte do Templo.

Nenhum dos compromissos propostos por Barak trouxe uma resposta positiva de Arafat, que declara que o mundo árabe e islâmico apóia sua exigência de soberania palestina completa sobre o Monte do Templo.

Se o líder palestino mantiver essa rigidez, não haverá acordo. Se então, a política israelense der uma guinada para posições mais duras nas negociações de paz, os palestinos terão perdido uma oportunidade histórica de reconhecimento internacional com volumosa assistência financeira dos Estados Unidos e de outros países ricos.

Embora a maior parte da responsabilidade por avanços nas negociações esteja agora nas mãos de Arafat, o primeiro-ministro israelense pode ajudar.

O relacionamento pessoal entre os dois líderes tem sido frio.Barak está se esforçando para estabelecer um contato mais efetivo, incluindo um encontro cordial entre os dois líderes na semana passada em sua casa em Israel. A diplomacia americana também pode ajudar a superar o impasse atual nas negociações.

Mas, ao final, se as negociações não forem comprometidas pelo novo ciclo de violência iniciado na semana passada, após a visita de Sharon, Arafat deve decidir se está pronto para fazer um acordo com um governo israelense disposto a oferecer o compromisso mais generoso possível diante das circunstâncias políticas atuais. Se ele deixar passar a oportunidade, o resultado pode ser muitos anos mais de impasse e conflito entre israelenses e palestinos.

(*) Análise política publicada no "The New York Times" e extraído do jornal A Folha de São Paulo em 01/10/00

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