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ATUALIDADES

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POR QUE A GUERRA

Por Robert Steinback

Que fique claro o que a próxima guerra contra o Iraque não é.

Não é uma guerra para libertar o povo iraquiano.

Mais do que alguns falcões estão apresentando esta ficção para disfarçar a mesquinharia do que realmente esta guerra seria: o primeiro exemplo da História da América de optar pela invasão e ocupação de uma nação soberana que não apresenta uma ameaça séria a este país ou a seus aliados.

Os falcões foram inspirados pelo presidente Bush que, no discurso da União do Estado, referiu-se a uma América querendo fazer um "sacrifício pela liberdade dos estrangeiros".

Eis aqui um sofisma. Vamos libertar um povo matando-o? Quantas mortes iraquianas achamos que valem a pena ser sacrificadas pela liberdade do Iraque - 500? 50,000? Mais?

Isto me lembra a linha perversa do desenho animado Shrek, onde o Senhor Farquad diz aos cavaleiros para competirem pela oportunidade de resgatar a princesa Fiona do dragão, "alguns podem morrer mas, este é o preço que estou disposto a pagar."

A desculpa da libertação é parte do guizado cercado de racionalizações que a administração Bush cozinhou, para obscurecer o que nada mais é do a abdicação dos verdadeiros princípios de paz, justiça e lei, sobre os quais a América foi fundada.

Disseram-nos que estamos indo à guerra para eliminar armas de destruição em massa que ainda não localizamos; para retaliar as ligações com a al-Qaeda que historicamente não são claras; para eliminar um homem pelas ações que ele poderia praticar algum dia; para libertar um povo oprimido com quem não nos preocupávamos até 11 de setembro.

O que é isto? Não importa para a administração Bush enquanto você aceitar o que foi dito acima.

Foi a ausência de um motivo claro para a guerra que inspirou milhões de manifestantes em todo o mundo - a mostrarem sua oposição no fim de semana que passou. Deve-se notar que nada da espécie foi visto na última Guerra do Golfo, porque as razões para a guerra eram evidentes para todos e porque o mundo agiu em conjunto para reverter a agressão iraquiana.

É justo afirmar que os iraquianos estariam em melhor situação sem Saddam Hussein no poder, mesmo antes mesmo de considerarmos que alternativa apresentada possa pior.

Mas, não cabe aos Estados Unidos decidirem quando um povo deve ser libertado. A libertação de um povo - principalmente de um opressor doméstico, como Hussein - não é algo para estrangeiros escolherem ou imporem. O movimento pela libertação deve primeiro vir do povo oprimido.

Quando a população tiver decidido por conta própria fazer este sacrifício, as portas então se abrem para o apoio externo. Contudo, mesmo quando os "libertadores" americanos se reúnem à entrada do Iraque, o que se vê é o pouco entusiasmo dos iraquianos pela próxima conflagração.

A América pré-Dubya colocou sua esperança na exportação pacífica dos ideais de democracia, liberdade, capitalismo e autodeterminação, conceitos que inspiraram os amantes da liberdade em todo mundo a aceitarem os riscos de desafiar os opressores. Agora, não importa o disfarce que se use, os Estados Unidos no Iraque serão um exército invasor, determinado a remodelar um território estrangeiro para adequá-lo aos seus objetivos.

Charles Krauthammer, o colunista falcão, embrenhou-se em fracas motivações  de libertação para fazer exatamente deste um caso para a guerra. Em sua coluna de 17 de fevereiro, do Time, Krauthammer argumenta que a América pós-11 de setembro deve usar seu poder militar para remodelar partes problemáticas do mundo: "Um Iraque 'dessadanizado'... forneceria uma base simpática não só para uma projeção externa do poder americano mas também para a projeção externa das idéias democráticas e modernizantes", escreveu ele.

Em um documento na Internet, ele foi mais direto: "É sobre a reforma do mundo árabe ... Não tentamos isto até agora. A tentativa começará com o Iraque.

Este é o mesmo raciocínio usado por notáveis como Adolf Hitler e o General Tojo, que usaram a invasão militar para reformar a Europa e o Pacífico, para que se adequassem aos seus objetivos.

Por mais repugnante que esses paralelos possam parecer, a pergunta deve ser feita: O que tornam nossos motivos para a invasão diferentes?

Não teremos abandonado os ideais americanos no momento em que tentamos impô-los à força?

Publicado no Miami Herald, em 18.02.03

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