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ATUALIDADES

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UM GENOCÍDIO VIRTUAL

Por Khalid Amayreh

28/09/02 - Hebron - Com o definitivo sinal verde dos Estados Unidos, Ariel Sharon e sua coorte de criminosos de guerra estão perpetrando um verdadeiro genocídio contra o povo palestino.

Um simples relance para as mortes, os estragos e a miséria infligidos à população palestina indefesa nestes últimos dois anos, não deixam dúvida sobre o que está acontecendo na Palestina.

Segundo estatísticas recentes produzidas pelo Crescente Vermelho palestino, mais de 1.700 palestinos, um terço deles crianças e menores, foram mortos desde 28 de setembro de 2000. Além disso, mais de mil outros palestinos morreram em decorrência da brutal repressão de Israel, inclusive a proibição de assistência médica e acesso a recursos médicos.

O número de palestinos mutilados pela máquina mortífera israelense atingiu até agora cerca de 60.000 palestinos e muitos deles sofrendo de ferimentos incapacitantes que permanecerão com eles pelo resto de suas vidas. Esses números constituem 2% de toda a população palestina na Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, um número terrível qualquer que seja o critério que se adote.

Em relação a toda população, o número de palestinos mortos e incapacitados pelo exército de ocupação israelense pode ser comparado a 5 milhões de americanos, 2 milhões de alemães, 1.8 milhão de britânicos e 20 milhões de chineses. Portanto, trata-se de um verdadeiro genocídio, ou tentativa de genocídio pelo menos, se quisermos dar o benefício da dúvida a Israel.

Além das mortes em massa, o exército israelense destruiu arbitrariamente os centros populacionais palestinos. Acredita-se que milhares de casas e prédios públicos foram deliberadamente destruídos pelo exército de ocupação, com o objetivo de subjugar e escravizar os palestinos.

Mais do que isto, muito da infraestrutura básica civil nas várias cidades palestinas também foi completamente destruída. O meio ambiente também sofreu grandemente, pois as escavadeiras israelenses não economizaram esforço para ceifar grande parte da vegetação da Cisjordânia, reduzindo, de forma eficaz, os vinhedos e pomares palestinos a um deserto.

Mas, a brutal feiúra da mentalidade sionista não pára por aqui. O exército israelense conseguiu transformar todos os centros populacionais palestinos em campos virtuais de concentração, sem comunicação entre si e isolados do resto do mundo.

Desnecessário dizer que dentro desses campos são cometidos toda a sorte de crimes contra a humanidade, desde o assassinato acidental de crianças a caminho da escola até o corte dos suprimentos de água para as comunidades.

A devastação genocida israelense contra os palestinos é mais do que uma dura reação ao levante palestino contra a ocupação militar e ao apartheid. Trata-se, na verdade, de uma política deliberada que objetiva primeiro e principalmente a uma "solução final" para a questão palestina.

Vejamos o que dizem os líderes israelenses esses dias. Na semana passada, um ministro israelense, Eifi Eitam, disse aos colonos judeus da Cisjordânia que havia três alternativas para os palestinos: o extermínio físico, a escravização perpétua aos judeus, ou a expulsão em massa para o deserto árabe.

Antes um outro ministro israelense, Benny Elon, fez comentários semelhantes. Ele sugeriu que o controle judeu do governo dos Estados Unidos e o Congresso tinham dado a Israel uma "oportunidade de ouro" para praticar a solução final do problema palestino. O indiscutível líder nazista israelense acrescentou que só havia uma única solução para o problema demográfico enfrentado por Israel e que era a "expulsão" de não judeus do que ele definiu como "a terra de Israel". É claro que grande parte da liderança militar e política sionista, principalmente Ariel Sharon, adotam e estimulam  ativamente essas tendências racistas e criminosas da sociedade israelense.

Na verdade, pode-se argumentar tranquilamente que "transferência", o eufemismo que o regime de apartheid usa para se referir à expulsão, é a política não declarada de Ariel Sharon. É uma vergonha que o chamado ocidente civilizado, que está batendo os tambores de guerra contra o Iraque, tenha permanecido calado diante do holocausto que está sendo cometido na Palestina.

Mas, por que acusar a Europa e os Estados Unidos de traírem o indefeso povo palestino, quando seus próprios irmãos árabes e muçulmanos apresentam um silêncio mais infame? Pode-se imaginar o que os árabes estão esperando. Será até a Mesquita de al-Aqsa ser reduzida a ruínas ou até que o nazismo sionista faça sua incursão no Egito? Eu não acredito que qualquer coisa que o sionistas façam possa despertar os líderes e regimes árabes, porque eles perderam sua   dignidade e sentimentos humanos.

É chegada a hora de as massas se dirigirem contra esses regimes baratos e podres, cuja única função é reprimir em nome da América e confiscar as liberdades e direitos humanos concedidos por Deus.

Enquanto isto, o povo palestino continuará a pagar com sangue a impotência vergonhosa do mundo árabe, para que um dia as massas árabes expulsem os governos incompetentes, insensíveis diante do sofrimento de seus povos.

Só podemos esperar que não demore muito para que o sol da liberdade se levante sobre o mundo árabe.

O endereço do site do autor é  http://www.amin.org/pages/khalid_amayreh/



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