or_bar.gif (1182 bytes)

ATUALIDADES

or_bar.gif (1182 bytes)

O MUNDO SE ESQUECEU QUE OS PALESTINOS TAMBÉM NECESSITAM DE UMA PÁTRIA

Por Bill Maxwell

Os palestinos são um povo destituído. Para mim, ou para Hillary Clinton, dizer que os palestinos necessitam de uma pátria não significa ser antissemita. Mesmo porque, não sou.

A concessão de uma pátria - uma nova Palestina - não remediará todos os problemas entre palestinos e judeus israelenses, mas facilitaria muitos das questões aparentemente difíceis e traria um ingrediente para a vida dos palestinos que foi esquecido: a dignidade de pertencer a um lugar.

A culpa pela atual explosão de violência na região pesa sobre os ombros de todos os principais envolvidos, principalmente do líder do Partido Likud, Ariel Sharon, cuja visita intencionalmente provocadora ao Templo do Monte deu início às primeiras respostas iradas dos palestinos, e do presidente da OLP, Yasser Arafat, que mostrou uma intransigência enigmática e uma falta de bom senso.

Dito isto, o mundo parece ter esquecido de que o povo palestino - assim como os judeus eram até que o estado de Israel ser criado - vive uma diáspora, um povo disperso de sua pátria. Não vamos questionar quem estava na região primeiro, se árabes ou judeus. O fato é que todo um grupo foi espalhado, criando uma das mais graves e duradouras   crises de direitos humanos.

Um pouco de história: Centenas de milhares de palestinos tornaram-se refugiados pela primeira vez quando, entre 1948 e 1949, grande parte da Palestina foi anexada pela dinastia hashemita à Transjordânia, para formar o reino da Jordânia, e quando Gaza ficou sob controle egípcio. Atualmente, de acordo com THE PENGUIN ATLAS OF DIASPORAS, a maior parte dos palestinos que não está em Israel propriamente nem na Cisjordânia, vive na "periferia próxima da Palestina histórica" - Jordânia, Líbano, Síria. Mais palestinos foram desalojados durante a guerra árabe-israelense de 1967.

Dois terços da população jordaniana é composta de palestinos. Além dos que estão em Gaza e na Cisjordânia, acampamentos de refugiados estendem-se pela Jordânia, Líbano e Síria. O ATLAS afirma que existem colônias palestinas, compostas de homens habilidosos, na região do Golfo, no Kuait, nos Emirados Árabes e na Arábia Saudita. Os Estados Unidos têm uma diáspora palestina, e encontramos colônias de palestinos na Argentina, Brasil e Chile. Alguns se adaptaram bem aos seus novos lares. Outros não.

Quem quer que visite a Faixa de Gaza, como eu visitei por longos períodos, pode perceber as razões para o descontentamento palestino. Com uma população de mais de 1 milhão, a Faixa de Gaza, chamada de "Soweto de Israel"(referência ao gueto da África do Sul), não é um estado e não foi anexada a Israel. A superpopulação é diretamente atribuída ao estrangulamento econômico de Israel sobre a faixa, que é cercada desde o Cruzamento de Erez, no norte, até o cruzamento de Rafah, no sul, na fronteira com o Egito.

As forças de defesa de Israel controlam toda a fronteira. Mesmo com a recente abertura de uma passagem especial de Gaza para a Cisjordânia, se as pessoas de Gaza quiserem sair dessa área, precisam obter uma permissão dos israelenses. A menos que a viagem se refira a trabalho, a maior parte dos residentes jamais consegue vistos e, assim, nunca visita Israel ou a Cisjordânia.

Encontrei muitas pessoas - nascidas a partir de 1967 - que nunca saíram da faixa, que tem apenas 25 milhas de comprimento e menos de 4 milhas de largura, em algumas partes. A região fica encerrada entre o Deserto de Negev e o mar Mediterrâneo.

Algumas das piores condições que vi estavam no Acampamento de Dehaishem, que o papa João Paulo II visitou no início deste ano. Aqui é uma descrição do lugar, feita pelo NEW YORK TIMES: "Quase 10.000 refugiados palestinos, quase todos muçulmanos, vivem em menos de 1 milha quadrada de terra, amontoados em barracos que formam becos salpicados de sucata de carros velhos, velhas bobinas de fio e lixo. Eles são refugiados há 52 anos, e muitos deles ainda guardam as chaves de suas casas que foram forçados a abandonar, na luta que se seguiu á criação de Israel."

Depois de ver Dehaishem e outros lugares de Gaza e Cisjordânia, o papa disse: "Ninguém pode ignorar o quanto o povo palestino vem sofrendo nas recentes décadas. Seu tormento está ante os olhos do mundo e isto dura há muito. A Sagrada Providência sempre reconheceu que o povo palestino tem o direito a uma pátria e o direito de ser capaz de viver em paz e tranquilidade com os outros povos desta região."

Na verdade, Arafat precisa negociar com os israelenses com boa-fé, tendo em vista o que ele não conseguirá em Jerusalém. Mas não importa quantos acordos e tratados de paz sejam assinados, pois o povo da Terra Santa continuará a derramar seu sangue até que as condições que desumanizam os palestinos sejam erradicadas.

Os israelenses, juntamente com seus partidários nos Estados Unidos e em outros lugares, estão sendo levados a acreditar que uma diáspora em seu meio e ao longo das fronteiras representa o desejo de viver em paz com eles. Esta expectativa desafia a toda a lógica.

Humilhados e frustrados, os palestinos se sentem como estrangeiros numa terra que consideram sua, assim como muitos judeus consideram como deles. A violência na região é triste, mas ninguém pode se esquecer de que a desesperança dos jovens palestinos despossuídos faz deles candidatos em potencial a futuros terroristas.

Publicado no domingo, 15/10/00, no © St. Petersburg Times

back1.gif (279 bytes)

 

1