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ATUALIDADES

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ENCONTRO DEVE EXPOR DIVISÃO ENTRE LÍDERES

Por Robert Fisk

Com uma possível catástrofe podendo ocorrer no Oriente Médio, os líderes árabes começaram a chegar ontem ao Cairo para um encontro de suprema irrelevância, que só vai provar mais uma vez quão divididas são suas nações.

A Síria quer que os Estados árabes rompam relações diplomáticas com Israel, os palestinos querem um Estado e os egípcios - nas tão imortais quanto irrelevantes palavras de seu chanceler Amr Mousa -, buscam "mobilizar as capacidades árabes".

O fato de os rumores discutidos pelos delegados do encontro em caráter privado terem sido mais importantes do que seus pronunciamentos,foi representativo da impotência diplomática árabe.

Disseram que o premiê israelense, Ehud Barak, já teria acionado seus generais para retomar cidades da Cisjordânia que estão sob o controle da Autoridade Nacional Palestina.

Também chegou de Londres a notícia de que um diplomata israelense iria ao Reino Unido na próxima semana para explicar as decisões militares de seu país.

Enquanto isso, Iasser Arafat partia para o Cairo com uma pasta cheia de propostas e apelos de grupos palestinos de dentro e de fora dos territórios ocupados. Pelo menos uma organização palestina sediada em Damasco exige que Arafat determine uma data limite para a declaração de seu Estado e pede também a presença de tropas de paz dentro da Cisjordânia e da faixa de Gaza.

Ironicamente,existem membros da Frente Democrática para a Libertação da Palestina, de esquerda, que gostariam que tropas norte-americanas estivessem incluídas nas forças de paz - porque as tropas dos EUA teriam como controlar seus próprios aliados israelenses. Quando as tropas dos EUA começaram a vigiar a fronteira do Líbano com Israel, após a ocupação de 1982, ocorreram choques diários entre oficiais norte- americanos e israelenses.

A mente de Arafat,no entanto, deverá estar mais ocupada com sua precária situação militar do que com a diplomacia. Muitos palestinos suspeitam que o objetivo do ataque da última semana, quando mísseis foram disparados de um helicóptero israelense contra alvos palestinos, era o de testar a capacidade dos armamentos de Arafat, saber que tipo de mísseis os palestinos possuem.

"Arafat disse a seu povo para não responder", disse ontem um representante palestino. "Ele não iria mostrar aos israelenses de que tipos de armamentos dispõe".

O chanceler sírio,Farouq al Shara, pediu aos países árabes que contribuam "para a Infifada", mas insistiu que a Síria não estava apoiando uma guerra. "Somos favoráveis a uma paz mundial justa, não a uma paz feita por compromisso", disse. "Os árabes já firmaram um compromisso ao aceitar as linhas do cessar-fogo de 4 de junho de 1967 (após a Guerra dos Seis Dias)", afirmou Shara.

Mas o Egito e a Jordânia, que mantêm acordos de paz com Israel, não irão quebrar seus laços diplomáticos com Tel Aviv só porque os colegas do presidente do Iêmen gostariam de dar seu apoio ao conflito.

No final, os palestinos estarão sós, como sempre acontece. A menos, é claro, que os sauditas - cada vez mais rancorosos com a incapacidade dos EUA de assegurarem o que vêem como uma paz justa - decidam disparar sua arma de petróleo.

21/10/00

Robert Fisk é um conhecido jornalista inglês, que escreve regularmente para o Independent. Mais artigos dele podem ser encontrados em

http://www.independent.co.uk/news/World/Middle_East/2000-10/fisk021000.shtml

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