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ATUALIDADES

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OS IRAQUIANOS ESTÃO DESGOSTOSOS, MAS NÃO SURPRESOS, COM O TRATAMENTO AOS PRISIONEIROS DE GUERRA

Por Patrick Cockburn in Baghdad

Ontem, os iraquianos estavam desgostosos com as acusações de brutalidade e tortura nas mãos de soldados ocidentais, mas poucos expressaram qualquer surpresa.

"Eu esperava coisa muito pior do que isto que veio a público", disse Abu Hashem, um engenheiro, referindo-se às fotografias de detidos nus, sendo maltratados por guardas americanos na prisão de Abu Ghraib. "Eles disseram que eram libertadores, mas, na verdade, são soldados de ocupação.".

Durante meses, corriam boatos de tortura nas prisões administradas pelos Estados Unidos, por isso, vários iraquianos disseram que as últimas revelações só confirmam o que eles já suspeitavam.

Karim Hassan, um professor aposentado, contou:"Corria uma estória de que os americanos estavam torturando as pessoas e o imam da mesquita local disse que as prisioneiras estavam sendo estupradas por soldados americanos."

Kamal Hassan, o jovem irmão de Karim, disse:"Fiquei chocado com o que vi. No começo, pensei que os americanos eram realmente uma força de libertação. Agora, qual é a diferença entre eles e Saddam? Eles também estão matando e torturando."

Somente um dos entrevistados defendeu o que tinha acontecido. Ziyad Rabiya, um frentista, disse: "Merecem o que aconteceu a eles. Ou eram assassinos ou saqueadores. Um dos meus amigos disse que foi apanhado porque estava vestindo negro e os soldados pensaram que ele fosse um dos fedayin de Saddam, e que ele foi bem tratado. É claro, se ele pertencesse à resistência não teria merecido isto."

Em três dos principais países muçulmanos da Ásia, os supostos abusos de prisioneiros por forças americanas e britânicas foram condenadas como uma exibição "desprezível" do ódio ocidental aos muçulmanos e foi exigida a imediata partida deles do Iraque . No Paquistão, um importante aliado da guerra contra o terrorismo liderada pelos Estados Unidos, Masood Khan, porta-voz do ministro do Exterior, disse: "Nossa repulsa à natureza sádica e vergonhosa do tratamento dispensado aos prisioneiros é partilhada pelas pessoas em todo o globo."

Os jornais da Malásia e Indonésia - as duas maiores populações muçulmanas do sudeste asiático - traziam em suas manchetes, fotografias mostrando um prisioneiro iraquiano com um capuz, supostamente surrado por soldados britânicos. Outros jornais traziam fotos de soldados americanos com os polegares para cima, atrás de prisioneiros encapuzados e nus.

Nasharuddin Isa, secretário geral do partido islâmico fundamentalista pan-malaio, o maior grupo de oposição do país, disse: "Tais atos desprezíveis comprovam os padrões duplos da América, um país que prega os direitos humanos para o resto do mundo. Os soldados americanos e ingleses devem deixar o Iraque imediatamente. Seus atos mostraram claramente o ódio de seus países ao povo islâmico. Como é que eles continuam a dizer que a intenção sempre foi a de libertar os iraquianos?"

Os ativistas da Indonésia, o país de maior população muçulmana do mundo, disseram  ser possível que muito dos abusos a prisioneiros iraquianos poderia não ter sido relatado.

Publicado em 3/04/2004, no The Independent

 



 

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