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ATUALIDADES

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MILITANTES PALESTINOS APRESENTAM UMA OUTRA QUESTÃO

 

Por Muqtedar Khan

Na sexta-feira, um militante do Hamas matou 21 israelenses e feriu quase 100 e, durante a operação, matou-se também. Este ataque foi um dos muitos que o Jihad Islâmico e o Hamas iniciaram como parte da nova Intifada. Iasser Arafat e a comunidade internacional condenaram o ataque como covarde, insensato e contraproducente.

Ainda que o atentado contra jovens civis seja, por si só, deplorável, precisamos reconhecer que na região a violência sempre foi recompensada. Os israelenses mataram quase 500 palestinos nos últimos oito meses e por este motivo estão prestes a receber uma ajuda adicional de US$ 800 milhões dos Estados Unidos. Ao incitar a violência palestina, os falcões da sociedade israelense conseguiram, com sucesso, marginalizar os pombos. Mesmo os mais firmes defensores da paz em Israel agora imaginam se é possível  fazer a paz com os palestinos.

Os palestinos, Arafat em particular, também ganharam com a violência. Nos últimos meses, enquanto o levante palestino prosseguia, americanos e israelenses sustentavam que os palestinos não chegariam a lugar algum com a violência. A nova administração em Washington tem declarado constantemente que a violência precisa parar antes que qualquer medida diplomática possa ser tomada. Os americanos não só se recusaram a tomar parte no início de negociações como também não aceitaram reunir-se ou dialogar com Arafat. Enquanto os israelenses exigem a completa rendição, os americanos simplesmente abandonaram os palestinos. Bush encontrou-se com Peres e Sharon mas não com Arafat. A administração americana existiu que toda a violência deva parar antes que se comece a negociar.

Porém, assim que a violência aumentou, Bush e Powell retornaram ao celular diplomático com Arafat, com Powell agora prometendo ir ao Oriente Médio para conversar com ele em pessoa. Ironicamente, o Jihad Islâmico e o Hamas, que se opunham ao processo de paz e a Arafat, mais uma vez forçaram israelenses e americanos a se voltarem para Arafat. A violência restabelece a importância de Arafat para a paz no Oriente Médio.

A violência também envia uma mensagem muito forte . Os israelenses elegeram Sharon porque ele prometeu um país mais forte e seguro. No entanto, desde a eleição de Sharon mais de cem israelenses morreram e o país se vê às voltas com uma guerra crescente sem que se vislumbre um fim imediato. Os palestinos morrem nas mãos de colonos judeus e do exército israelense, mesmo durante as mais pacíficas condições. Se as negociações de paz tivessem continuado, ainda assim vários palestinos teriam morrido como resultado da ocupação israelense. Mas, a morte de cem israelenses também é  outra coisa. Foi a quantidade ininterrupta de perdas provocada pelo Hisbolá que forçou Israel a acabar com sua ocupação do sul do Líbano. O Jihad Islâmico e o Hamas esperam fazer o mesmo. Eles tentam fazer com que o custo da ocupação seja intolerável.

A violência também está forçando Israel e Estados Unidos a abandonarem a política declarada e, neste sentido, está se mostrando produtiva. Os americanos, mais uma vez, viram-se forçados a reconhecer a importância de Arafat e perceberam a loucura que é ignorá-lo. Os israelenses sentiram que a eleição de Sharon foi um erro. Ele os tornou mais inseguros do que nunca. Não é Sharon ou os aviões americanos F-16 que, provavelmente, podem garantir a segurança israelense. Tanto Israel como Estados Unidos agora estão apelando a ele para que tome medidas no sentido de proteger os cidadãos israelenses.

Enquanto a violência se mostrar produtiva ela não cessará. Os israelenses erraram ao ligar a guerra vazia de Sharon aos seus futuros. Bush e Powell erraram ao protegerem os israelenses e deixarem de lado Arafat. Agora, são forçados a contar com ele não porque a violência tenha cessado e sim porque ela continua. Israel precisa parar imediatamente a construção de novos assentamentos. Não pode esperar roubar eternamente as terras do povo palestino sem que isto não represente um convite a uma resistência cada vez mais violenta.

Israel e Estados Unidos precisam perceber que não terão paz ou segurança estrangulando as legítimas aspirações dos palestinos. Se eles forem deixados sem nada para viver, isto será um estímulo para que se voltem para os militantes que prometem a eles martírio e paraíso na morte.

Israelenses e americanos precisam parar de fazer exigências estapafúrdias aos palestinos, como uma desculpa para adiar as negociações. Parar a resistência é uma demanda tola. Por que Israel cessaria a ocupação da Palestina se os palestinos não mais resistirem e permitirem a construção de mais e mais assentamentos e o usufruto de seus ganhos mal adquiridos? É hora de os palestinos receberem esperança e prova concreta de que é melhor viver do que morrer. Que eles recebam o gosto da verdadeira liberdade e que sejam estimulados para a fazer a paz.

Publicado em 05/06/2001

http://www.glocaleye.org/militants.htm


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