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ATUALIDADES

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CONHEÇA A VERDADE SOBRE O ORIENTE MÉDIO

Por Júlio Noboa

 

Se acreditarmos no quadro mostrado pela mídia americana sobre o conflito no Oriente Médio, então já sabemos quem são os mocinhos e os terroristas.

Dos jornais locais até aos filmes de Hollywood, identificamos os judeus israelenses como os civilizados, razoáveis e democráticos e os palestinos como os terroristas.

Agora este cenário simplista está começando a clarear, quando vemos as imagens dos jovens palestinos enfrentando, com pedras nas mãos, os tanques e supersônicos F-16 bombardeando as fábricas das vizinhanças. Para garantir o continuado e incondicional apoio americano, o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, recentemente pediu um completo cessar-fogo.

Mas, após rejeitar a recomendação básica da comissão Mitchel para congelar a construção de assentamentos israelenses, a oferta de Sharon é uma  farsa. Os palestinos seriam loucos em aceitar uma expansão dos assentamentos, que reduzem mais ainda o pequeno território que deixaram para eles. Além do mais, esses assentamentos são uma violação às resoluções da ONU e à legislação internacional

Há dois tipos de terrorismo neste antigo e disputado território: o terror da ocupação e o terror do desespero.

Os atacantes suicidas estão desesperados, mas não são propagandistas simplórios do martírio. Seus familiares, amigos e vizinhos foram mortos, torturados, mutilados ou desalojados de suas casas pelas autoridades israelenses. A mídia os chamará de covardes, mas o que faria qualquer americano se invasores ocupassem e aterrorizassem nosso país?

O terror do desespero nasceu da brutalidade, da privação e da impotência, é esporádico, indiscriminado e muitas vezes contraproducente. A mídia teria que nos convencer que Israel está só respondendo ao terrorismo, mas contraria as realidades históricas do terror da ocupação.

Não foram os palestinos e sim os extremistas sionistas que introduziram o terror na Terra Santa. Nos anos 20, eles colocaram bombas nos mercados árabes para aterrorizar os civis. Foi o terrorismo sionista que, depois de duas décadas, expulsou os ingleses da Palestina, para criar um estado judeu.

Com a criação de Israel, os palestinos tornaram-se estranhos em sua própria terra. Governados por decretos militares, foram-lhes negados  liberdade de movimento, igualdade de instrução e direito de possuir sua terra. Na verdade, 78% do que historicamente era a Palestina árabe, tornou-se israelense. Hoje, os palestinos estão lutando para recuperar apenas a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, 22% da Palestina histórica. No entanto, Israel controla quase que a metade desses territórios.

O terror da ocupação israelense está ligado ao lento estrangulamento, casas são demolidas, pomares são destruídos, estradas bloqueadas, e a água e o poder são manipulados. Mais do que tudo, o terror da ocupação é uma violência imperdoável e se manifesta na desproporção da agressão militar usada contra os manifestantes , circunstantes atiradores de pedras, e até polícia de segurança.

Médicos da região, há tempos evidenciaram que a maior parte dos jovens e crianças atiradores de pedras morreram baleados na cabeça ou na parte superior do corpo. Este atirar-para-matar se estende aos líderes palestinos, através dos mísseis israelenses que agem como juiz, júri e promotor.

Conforme muitos previram, a violência aumentou dramaticamente desde a eleição de Sharon. Sua eleição foi saudada por todas as organizações judaicas pró-Israel. O American Jewish Congress observou que "Ele é amplamente reconhecido como um dos maiores heróis militares de Israel."

Sharon tem um registro enorme. Em 1953, ele chefiou um esquadrão que massacrou 69 homens, mulheres e crianças em Qibbiya. Depois da guerra de 1976, ele ordenou o assassinato de mais de 100 líderes da resistência palestina. Em 1982, seus homens permitiram, se é que não estimularam, que a milícia libanesa, apoiada por Israel, matasse mais de 900 refugiados palestinos dos campos de Sabra e Shatila.

No entanto, Sharon já se encontrou duas vezes com o Presidente Bush, enquanto Iasser Arafat aguarda seu primeiro convite.

É-nos dito que o Tio Sam é o único interlocutor imparcial para a paz no Oriente Médio. Certamente que isso foi demonstrado com a ajuda americana a Israel, que inclui ajuda militar desde 1949 até 2001, que ultrapassa os US$90 bilhões. Além do mais, a nossa política para o Oriente Médio, sempre foi ditada pelo poderoso lobby de Israel, conforme documentado pelo ex-congressista Paul Findley, em seu livro "They Dare To Speak Out."

Nem Israel, nem Tio Sam, permitiram a presença de uma força internacional de paz ou de observadores internacionais, porque não "seria justo" com Israel. Talvez eles saibam que por décadas, Israel violou as inúmeras resoluções da ONU, negando os direitos humanos básicos aos palestinos.

E, então, imaginamos por que nossos aliados votaram contra nós, na Comissão de Direitos Humanos da ONU.

Peço aos americanos que tirem as vendas da mídia, chequem outras fontes de informação, tais como o Relatório de Washington sobre a Questão do Oriente Médio (www.washington-report.org) e abram seus corações e mentes para toda a história.

Júlio Noboa é um educador e escritor free-lance, que pode ser contatado pelo e-mail JNPAPR@aol.com

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