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ATUALIDADES

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RACISMO SIONISTA: DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS


Por Riad Abdelkarim

"O Senhor devolverá suas ações sobre suas cabeças, consumirá sua semente e os exterminará, os devastará e os fará desaparecer deste mundo. É proibido ser misericordioso com eles. Vocês devem enviar mísseis e aniquilá-los. Eles são  maus e execráveis."

É fácil imaginar que estas palavras tenham sido proferidas por um líder nazista na Alemanha, há uns 60 anos atrás, ou por um defensor do apartheid na África do Sul, há algumas décadas atrás. Na verdade, este racista insolente e estas palavras inflamadas foram ditas há alguns dias atrás pelo rabino israelense Ovadia Yussef. Ele estava falando, é claro, dos árabes, durante um sermão transmitido em programa de rádio, marcando a Páscoa dos judeus.

No passado,  elementos sem expressão de ambos lados do conflito entre palestinos e israelenses fizeram esse tipo de observações inflamadas, mas, em sua maioria, eram ignorados ou reduzidos em importância, por não representarem o pensamento dominante de cada lado. O que é particularmente desconcertante neste exemplo, no entanto, é o fato de que o rabino Ovadia Yussef (que, anteriormente, já havia se referido aos árabes como víboras) não representa uma parcela inexpressiva do panorama político de Israel. Na verdade, como ex-rabino chefe de Israel e fundador e líder espiritual do partido Shas, o terceiro maior partido político de Israel, ele também é uma figura influente nos círculos políticos de Israel. Yussef tem alguns milhares de seguidores devotados. Atualmente, seu partido político controla os ministérios do Interior e de Assuntos Religiosos, na coalizão de governo linha dura do primeiro-ministro Ariel Sharon.

Embora esses comentários tenham recebido uma ampla cobertura da mídia européia, eles tiveram pouca repercussão na grande imprensa americana. De fato, uma busca nos websites do New York Times, Los Angeles Times, Washington Post e Chicago Tribune não conseguiu revelar uma única referência às observações de Yussef. Se tais comentários tivessem sido proferidos por conhecidos líderes cristãos ou muçulmanos contra membros da fé judaica, um justificado coro de condenação do governo, de porta-vozes religiosos e da mída em todo o mundo teria sido imediatamente disparado.

No entanto, quando o alvo do discurso raivoso são cristãos e muçulmanos árabes, como neste caso, e o perpetrante é um conhecido rabino israelense, há um silêncio tenebroso por parte de nosso governo, dos líderes judeus americanos e da grande imprensa. Os muçulmanos americanos e árabes espantam-se com esse duplo critério. Não há nada que justifique um critério de dois pesos e duas medidas, que poupa os israelenses da crítica quando seus líderes religiosos e políticos incitam seus seguidores a cometerem o genocídio contra uma população civil, por causa de sua etnia ou religião. Na verdade, as palavras de Yussef são um eco da retórica da era nazista, que precedeu as mortes em massa de judeus e de outros grupos, sob o regime de Adolf Hitler. A escalada da violência que se seguiu na Faixa de Gaza esta semana - que incluiu ataques simultâneos de tanques, helicópteros, escavadeiras, torpedeiros israelenses contra os campos de refugiados, parecem destinados a cumprir a profecia de aniquilação do rabino Yussef.

Onde estão as vozes do Congresso? Na última semana, 87 senadores e 209  deputados assinaram uma carta acusando unicamente os palestinos pelo atual ciclo de violência e exigindo que o presidente George W. Bush corte a assistência econômica aos palestinos e feche o escritório da OLP em Washington, DC. O republicano Tom Lantos (CA), enfileirado no Comitê de Relações Internacionais, do Congresso, declarou que por muito tempo os Estados Unidos trataram as ações agressivas dos palestinos como se elas fossem moralmente equivalentes ao esforço israelense de se defender. Onde fica a indignação moral de Lantos quando o rabino Yussef convoca um genocídio contra os árabes?

Também a recusa ou relutância da maioria dos líderes americanos judeus em falar, desta vez é desalentadora. Significa também um critério duplo. Essas mesmas organizações, no passado, foram rápidas em apontar o dedo para líderes muçulmanos americanos e árabes americanos, acusando-os de não condenar explicitamente os ataques terroristas e  comentários inflamados e até acusando-os, em muitas ocasiões, de relevarem a violência. Enquanto esta análise foi aplicada a líderes muçulmanos americanos e árabes americanos, ao que parece as organizações judaico-americanas não acreditam que se aplique a elas. Este padrão duplo apenas serve para deteriorar ainda mais as já frágeis tentativas de melhorar as relações entre muçulmanos e judeus americanos.

O ataque envenenado e cheio de ódio do rabino Yussef dirigido aos árabes é terrivelmente direto. Suas palavras não deixam espaço para que sejam interpretadas de outra forma pelos apologistas pró-israelenses aa mídia, do governo americano ou dos líderes judeus americanos. As palavras que demonizam e desumanizam os membros de toda uma fé ou etnia - e que deixam pouca dúvida de que elas se destinam a estimular o genocídio - não podem ficar sem resposta. Não importa quem as profere. Em casos como esse, o silêncio só pode ser interpretado como cumplicidade.

Publicado em 15/04/01

Dr. Riad Abdelkarim é da direção do Council on American Islamic Relations (CAIR).

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