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ATUALIDADES

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A GRANDE AMEAÇA NO ORIENTE MÉDIO É ISRAEL, NÃO O IRAQUE

Por John Pilger

Uma vez que  George Bush lançou-se a uma nova guerra fria iniciada por seu pai, a atenção de seus estrategistas está se voltando para o Oriente Médio. As estórias sobre as "armas de destruição em massa" do Iraque surgem de novo na imprensa americana, desta vez concentrando-se na "nova capacidade nuclear" de Sadam Hussein. Isto vem sendo rebatido pela Agência de Energia Atômica, cujos inspetores não encontraram evidências de que o Iraque, em sua condição devastada, tenha um programa de armas nucleares.

As únicas armas de destruição em massa do Oriente Médio estão em Israel, um protetorado americano. O que não se diz  é que, como os falcões de Israel não conseguiram terminar com a revolta palestina, seu líder, Ariel Sharon, pode bem mudar o arsenal nuclear do país na sua estratégia nominal de "último refúgio".

Esta perspectiva foi levantada no recente  Covert Action Quarterly (www.covertactionquarterly. org), por John Steinbach, um especialista nuclear, cujo trabalho anterior inclui o mapeamento dos riscos da radiação nos Estados Unidos. Ele cita o ex-presidente de Israel, Ezer Weizman: "A questão nuclear está ganhando impulso (e a) próxima guerra não será convencional". "Desde os anos 50", escreve Steinbach, "os Estados Unidos vêm treinando cientistas nucleares israelenses e fornecendo tecnologia nuclear, inclusive um pequeno reator de "pesquisa", para o programa "Átomos para a Paz". Foi a França quem construiu um reator a urânio e uma usina de reprocessamento de plutônio no deserto de Negev, chamado Dimona. Os israelenses mentem quando dizem que se trata de "uma usina de manganês ou uma fábrica de têxteis". Em troca do urânio, Israel supriria a África do Sul com tecnologia e experiência que permitiriam ao regime branco construir a "bomba apartheid". Em 1979,. fotografias tiradas de satélites revelaram a existência de bomba nuclear no oceano Índico fora da África do Sul. "O envolvimento de Israel", escreve Steinbach, "foi rapidamente sufocado por um painel científico selecionado, cujos detalhes importantes permaneceram ocultos". Fontes israelenses revelaram que "na verdade houve três testes de artilharia nuclear israelense miniaturizada."

Foi em Dimona que o heróico Mordechai Vanunu trabalhou como técnico. Um defensor dos direitos palestinos, Vanunu acreditava que era sua responsabilidade avisar o mundo sobre o perigo representado por Israel. Em 1986, ele contrabandeou fotografias mostrando que a usina estava produzindo plutônio suficiente para produzir de 10 a 12 bombas por ano, e que pelo menos 200 bombas miniaturizadas tinham sido produzidas. Vanunu foi arrastado de Londres para Roma pelo Mossad, a agência de inteligência israelense. Surrado e drogado, ele foi levado para Israel, onde uma corte secreta o condenou a 18 anos de prisão, 12 dos quais passados em uma solitária, numa cela onde ele mal cabia. Steinbach diz que, qualquer que seja "o efeito dissuasivo" que os criadores do programa nuclear israelense possam ter tido, "hoje, o arsenal nuclear está irremediavelmente ligado e integrado a toda uma estratégia política e militar de Israel." Enquanto Israel possui mísseis balísticos e bombas capazes de alcançar Moscou e sabidamente começou um submarino nuclear , "o básico do arsenal são as bomas de neutrons (que são) bombas termonucleares miniaturizadas, projetadas para maximizar os efeitos da radiação dos raios gama mortais, enquanto minimizam os efeitos das fortes correntes e da radiação a longo prazo - na essência, projetadas para matar as pessoas e deixar a propriedade intacta."

Estas são as mesmas armas nucleares "limitadas" que a administração Reagan pensou seriamente em usar na Europa e que os zelotes de Ariel Sharon pode usar como uma "demonstração" de que eles não têm intenção de abandonar os territórios ocupados.

"Os árabes têm o petróleo, mas nós temos os fósforos", disse Sharon antes de se tornar primeiro ministro. Steinbach diz que essa ameaça pode ser usada para obrigar a administração Bush a agir exclusivamente em favor de Israel, tendo em vista o crescente apoio internacional à Intifada. Francis Perrin, ex-chefe do programa nuclear francês, escreveu: "Achamos que a Bomba Israelense dirigia-se aos americanos, mas, para dizer 'Se vocês não querem nos ajudar  numa situação crítica (quando estamos) pedindo que nos ajudem ... usaremos nossas bombas nucleares'." Israel usou essa chantagem durante a guerra de 1973 com o Egito, forçando Richard Nixon a reabastecer sua tropa abalada.

A ameaça nuclear israelense raras vezes é levantada neste país, no parlamento e na mídia, e nos Estados Unidos é uma não-questão.  Isto está em consonância com a agenda de notícias sobre a Palestina, que ainda é estabelecida por Israel. No entanto, desde a eleição de Sharon, que vem presidindo os massacres de civis palestinos desde 1953, isto pode estar mudando. As imagens na televisão de Gaza e Cisjordânia não deixam muita dúvida de que Israel é um estado terrorista, com uma política assassina.

Israel Shahak é um dos críticos mais impressionantes do governo. Eu o encontrei em Israel, há mais de 25 anos atrás, então professor de química orgânica da Hebrew University, em Jerusalém, um sobrevivente do gueto de Varsóvia e do campo de Bergenelsen. Como a sociedade israelense se tornou mais e mais polarizada, a coragem e sabedoria de Shahak continuam.

Há três anos atrás ele disse: "O desejo pela paz, tantas vezes assumido como um objetivo israelense, não é, em minha opinião, um princípio da política israelense, porque persiste o desejo de estender a dominação e influência israelenses." Ele acrescentou esta profecia, na qual, senão todos, pelo um elemento se mostrou correto: "Israel está se preparando para a guerra, nuclear se for preciso, por conta de evitar mudança interna não por seu gosto e, para isto, está claramente preparado para usar de todos os meios disponíveis, inclusive o nuclear."

14 Maio de 2001

http://pilger.carlton.com/print/58883

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