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ATUALIDADES

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CONFLITO ISRAELO-PALESTINO ENTRA EM NOVA FASE

Robert Fisk

É um novo tipo de guerra, que os israelenses ainda não compreenderam. "Retaliação", "vingança" e "olho por olho" costumavam ser uma prerrogativa israelense. Se um palestino lançasse uma pedra contra um soldado de Israel, ele poderia ser morto. Se um palestino matasse um soldado israelense, sua casa seria destruída. Se um palestino se opusesse à ocupação israelense de sua terra, ele seria preso. Mas isso foi há 20 anos atrás, antes da primeira Intifada (levante palestino), antes do Líbano. Foi o Hisbollah libnanês que mudou as regras inicialmente. Se os israelenses matassem civis libaneses, diziam, a guerrilha lançaria mísseis contra Israel.

Os palestinos aprenderam a lição. Se Israel acredita na força, eles também. Se os israelenses matam palestinos, israelenses vão morrer. Se as lições são cruéis, as vítimas totalmente inocentes, o princípio se mantém: matem-nos e nós os mataremos.

Ariel Sharon, premiê israelense, é a principal vítima política. Dizendo que os palestinos - cujos territórios Israel ocupa - ameaçam Israel, ele reivindica o direito de "revidar o terror". Mas, quando grupos extremistas "revidam o terror" israelense, toda a política desmorona. Na semana passada, depois que oito palestinos morreram numa campanha de assassinatos - os mortos incluíam dois líderes políticos do Hamas, um jornalista e duas crianças - o Hamas prometeu vingança.

Ontem, a vingança chegou. Agora, Israel promete uma "retaliação" ao massacre, que foi uma "retaliação" ao assassinato de oito palestinos, que foi uma "retaliação" ao terror palestino...

Os israelenses rejeitam a expressão ciclo de violência, sob o argumento de que não há um "ciclo". Israel meramente "responde" à agressão. mas, como Israel não considera a ocupação de terras árabes uma agressão, como não vê as colônias judaicas erguidas em territórios ocupados contra o direito internacional como uma agressão, como não acredita que a demolição de casas palestinas ou a tortura em centros de interrogatório perto do local da atrocidade de ontem seja uma agressão, não é difícil compreender por que tantos israelenses não entendem de que se trata o conflito.

A situação se assemelha à da Argélia, em 1954. O conflito começou com a sabotagem de estradas contra os franceses, que colonizaram o país, pedras lançadas contra colonos da França e assassinatos maciços e desproporcionais cometidos pelos franceses. A guerra evolui para ataques aéreos, bombardeios contra inocentes, tortura, expropriação de terras, liquidação de colaboradores e assassinatos patrocinados pelo Estado. É um novo tipo de conflito.

Extraído da Folha de São Paulo, de 10/08/01

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