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ATUALIDADES

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VAMOS BRINCAR DE FAZ DE CONTA

Por Charles Reese

Faz de conta que você mora em Miami, no Condado de Dade, Flórida, e, de repente,  você tem que evacuar a área porque uma terrível tempestade se aproxima. Depois que a tempestade passa, você volta para casa, mas se defronta com a estrada fechada pelo exército. "Você não pode voltar," dizem-lhe. "Por que não posso voltar? Tenho minha casa, meus negócios," você diz.
"Não tem mais", diz o soldado. "Todos os seus bens e terras foram declarados abandonados e agora serão usados por nós. Portanto, volte. Você tem mais 49 estados onde pode viver, mas jamais voltará para a casa que você abandonou."

Agora faz de conta que após o bombardeio da OTAN sobre a Iugoslávia, o governo iugoslavo começa a negociar um cessar-fogo, mas os refugiados albaneses não podem retornar para o Kosovo. Será que os Estados Unidos iriam concordar com isto? Penso que não. Penso que os Estados Unidos teriam dito à Iugoslávia que o direito de retorno dos refugiados era inegociável e que se eles insistissem teriam que passar por cima deles.

Bem, foi isto exatamente o que aconteceu com os 700.000 palestinos em 1947-48. Pelo que um jornalista chamou de "uma campanha de guerra psicológica intercalada com massacres programados", os israelenses expulsaram aquele povo de suas casas e cidades com apenas a roupa do corpo.

Então, numa conferência de paz, os israelenses primeiro disseram que não permitiriam o retorno dos refugiados e que nem seriam compensados pelos bens perdidos. Este foi o pecado original de Israel. Também foi o nosso pecado, porque o governo dos Estados Unidos não fizeram nada e deveriam ter insistido no retorno dos refugiados.

Os sionistas, no entanto, não estavam agindo de forma arbitrária. A ideologia sionista, na qual se baseia o atual estado de Israel, exige um estado judeu, definido como um estado de maioria judaica, um governo judaico e leis judaicas. Pequenas minorias não judaicas podem ser toleradas, embora, na prática, elas tenham sido tratadas como pessoas de segunda classe. Mas, um estado plural está fora de questão.

O problema que os sionistas enfrentaram em 1947-48 foi este. Apesar dos esforços, não conseguiram convencer um número suficiente de judeus a imigrar para a Palestina. Consequentemente, mesmo no território dividido pela partilha, havia tantos palestinos árabes que os primeiros sionistas sabiam que logo eles deveriam ser em número igual, ou superior aos judeus.

Em 1919, havia 57.000 judeus e 533.000 árabes na Palestina. Os judeus eram donos de cerca de 2% da terra. Em 1946, o desequilíbrio continuou. Havia 608.000 judeus e 1.2 milhões de árabes. Em 1946, os judeus possuíam apenas 7% da Palestina.

Uma maioria árabe era inaceitável para a ideologia sionista e assim, eles praticaram a limpeza étnica.

Assim, a razão que determinou que os árabes fossem expulsos, foi a mesma para impedir que os refugiados retornassem. Os governos árabes disseram que se os refugiados não pudessem retornar então eles não assinaria um tratado de paz. Este pecado original - a disposição de 700.000 palestinos - deu origem ao conflito que grassa hoje e que continuará até que os palestinos tenham justiça ou que todos de ambos os lados morram.

Sei que é difícil. Os israelenses fizeram um trabalho fantástico de criar um estereótipo do palestino na mente da maioria dos americanos. Mas, tente, por um momento, voltar a 1947-48.

Você tinha uma família, uma fazenda ou um negócio ou uma loja. Você tinha amigos e parentes numa aldeia onde seus ancestrais viveram por séculos. Então, num piscar de olhos, você é arrancado de suas raízes e jogado em um país estrangeiro, sem posses, dinheiro, ou uma pátria que você possa dizer que é sua.

Essas pessoas e seus descendentes ainda vivem nesses campos, pelo menos aqueles que os israelenses não mataram durante os períodos de bombardeio e ataques. São as pessoas que Bill Clinton e Ehud Barak disseram a Yasser Arafat que ele deveria concordar que não deveriam retornar ou serem recompensadas por suas perdas. Só isto teria impedido Arafat de assinar o acordo.

É a esta expulsão, e não ao estabelecimento do estado de Israel, que os palestinos se referem quando falam de "catástrofe". Não foi apenas um ato cruel de limpeza étnica mas um dos maiores roubos na história da humanidade. Imagine se, de uma hora para outra, você ganhasse a propriedade de Miami-Dade, com todos os seus negócios, contas bancárias, casas, fazendas, safras, etc. A Palestina não era Miami mas as propriedades palestinas representaram uma enorme pilhagem dos israelense.

A propósito, isto aconteceu antes de os judeus deixarem os países árabes.  Não foi a transferência de uma população. As vítimas palestinas da limpeza étnica não tinham nada a ver com o que aconteceu aos judeus em outros países árabes.

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